Orientando nossas Crianças
Uma canalização de Maria através de Pamela Kribbe
24 de janeiro de 2008
Meus queridos amigos,
Eu os saúdo. Estamos imensamente felizes com a presença de vocês aqui hoje e comemoramos o fato de estarem na Terra neste momento. Antes de falar sobre o tema de hoje – as crianças da nova era – desejo dirigir a atenção a vocês. A cada dia vocês tentam incorporar mais da sua luz e do seu ser interior na Terra. Com freqüência sentem um peso em suas vidas e às vezes lhes parece que estão aprisionados em seus corpos ou em emoções e estados de humor que os sufocam. Queremos lhes dizer que confiamos em vocês e os respeitamos por tudo o que passam e realizam em suas vidas. Nós os amamos do jeito que são e gostaríamos que tivessem mais respeito por si mesmos e por tudo o que já fizeram em suas vidas até agora. Quando se mantêm confiantes, acalentando seus sonhos e metas, mesmo quando a luz ao redor de vocês se apaga temporariamente e vocês têm que enfrentar alguns contratempos, vocês mostram a sua grandeza e enorme força. Vocês estão plantando sementes de luz na Terra e estas vão dar frutos. Graças ao seu trabalho interior, vocês criaram uma ponte para uma geração de almas que acaba de encarnar e que deseja irradiar sua luz na Terra. É sobre estas almas que desejo falar hoje
Antes de falarmos diretamente sobre elas, peço a cada um de vocês que volte no tempo e sinta quem você era quando entrou no reino da Terra como um recém-nascido. Sinta a inocência e a beleza da sua energia. Perceba a sinceridade das suas intenções e a delicadeza da sua energia. Ah, você está conectado com a Terra há tanto tempo! Quantas vezes você mergulhou fundo aqui como um bebezinho! Agora sinta qual era a sua intenção desta vez. Provavelmente você trazia alguma bagagem pessoal que desejava resolver nesta vida. Talvez houvesse ferimentos profundos na sua alma que você desejava curar e vencer. Mas, fora isto, você também era guiado por um ideal mais amplo e universal, que era o de intensificar a consciência e o crescimento espiritual na Terra. Você sabia que ia nascer numa era de transição, uma era de crise e também de oportunidades. Sabia que havia “muito trabalho a ser feito”, um trabalho no nível interno que abriria novos caminhos nas formas de pensar e sentir. Sentiu a conexão com esta grande transformação global na Terra e estava preparado para mergulhar fundo mais uma vez, para ajudar a tornar realidade a velha visão de uma Terra pacífica, de uma nova consciência de unidade entre os seres humanos e do restabelecimento da harmonia entre todos os seres deste planeta.
Várias e várias vezes você abriu caminho através dos velhos limites de pensamentos e sentimentos. Todas as vezes que se sentiu sufocado por estruturas e regras tradicionais, sabendo intimamente que sua alma não poderia florescer em um ambiente ou relacionamento dominado pelo medo, você sentiu necessidade de se libertar. Muitas vezes foi doloroso dizer adeus e viajar por novas estradas. Sim, foi difícil e muito pesado, mas você tinha que se manter fiel à sua sensação de que alguma coisa não estava certa, que não fazia sentido para você, ou que algo estava faltando. Esta sensação persistente lhe recordava as intenções e objetivos originais da sua alma. Você não era capaz de se ajustar às exigências e padrões da sociedade, porque eles não correspondiam àquilo que você, como alma, queria vivenciar na Terra. Você estava destinado a ser “diferente”, não porque Deus ou alguma outra autoridade externa tivesse planejado isto para você, mas porque você é quem é. Em algum momento da história da sua alma, você foi inspirado por uma nova consciência, que podemos chamar de consciência Crística, percepção do coração, ou amor. Não é tão importante como você a chame. O que importa é que você foi tocado por ela, foi atingido por uma centelha de inspiração que, desde então, o impulsionou a continuar buscando, sonhando e expandindo sua consciência. Agora a centelha que está iluminando uma nova consciência na Terra está atingindo muitas pessoas. Por esta razão, as “crianças da nova era” sentiram-se chamadas a vir para cá. Por esta razão, elas vêm encarnando na Terra há várias décadas, em número cada vez maior. Elas estão aqui para completar o que você começou.
Você que pertence à geração anterior de trabalhadores da luz, em geral nascidos antes de 1980, está entre os precursores e abridores de caminho. Vocês foram inspirados pelo mesmo ideal que inspira as “novas crianças” de hoje; receberam o mesmo chamado da alma. Mas os terrenos que foram abertos por vocês, especialmente nos anos 60 e 70 do século XX, eram muito mais marcados por crenças convencionais e medos profundamente arraigados a respeito da liberdade da auto-expressão, das emoções, criatividade e sexualidade. Se voltarmos quarenta ou cinqüenta anos no tempo, veremos que o campo de energia coletiva da Terra era muito diferente do de hoje. Era menos transparente, mais denso e nublado e, portanto, menos acessível às energias claras e amorosas que agora estão encontrando seu caminho para a Terra. Uma das coisas que intensificou este aumento de amor e clareza foi a ascensão da igualdade de direitos para as mulheres (que começou no início do século XX) ou, em outras palavras, a conscientização crescente da igualdade e das qualidades únicas da energia feminina. A reabilitação tão necessária da energia feminina sustentou uma crescente consciência e validação da dimensão do sentimento na vida. Durante os anos sessenta e setenta do último século, muitas coisas se abriram na área da emoção, intuição e criatividade.
Muito trabalho foi feito pela geração mais velha de trabalhadores da luz e isto lhes custou muito, pois eles atravessaram os vales internos de autodúvida e solidão, antes de conseguirem abrir um novo horizonte para as gerações que viriam. Se você faz parte dessa geração mais velha, saiba que estabeleceu um farol de luz para aqueles que vêm atrás de você.
Agora você está passando a tocha para a nova geração. E, ao passá-la adiante, você pode lhes fornecer apoio e incentivo, enquanto eles podem inspirá-lo com sua paixão e com a pureza de seus corações. Eles são mais “diferentes” ainda do que você foi. Enquanto você conseguia se adaptar temporária ou parcialmente a um ambiente que realmente não ressoava consigo, eles não têm capacidade para fazer isto, nem mesmo no nível de comportamento externo. Em outras palavras, eles não conseguem nem sequer fingir isto um pouquinho. Suas emoções e seus corpos físicos protestam, em um nível profundo, quando são confrontados com as energias limitadoras de muitos sistemas tradicionais de educação ou métodos de criação de filhos. A adaptação não é uma opção para essas crianças. Principalmente as mais sensíveis entre elas entrarão em colapso físico e emocional em um ambiente da velha energia, e seu comportamento tornar-se-á tão problemático, que o ambiente ao seu redor terá que reagir e mudar. Não é mais possível reprimir ou ignorar os problemas. As crianças que estão chegando agora forçarão a sociedade a refletir profundamente sobre suas próprias suposições a respeito das crianças e da vida em geral.
As crianças que estão nascendo agora (e que vêm encarnado na Terra há algumas décadas) trazem uma parte bem maior da consciência total de suas almas do que a que vocês trouxeram. Quando vocês entraram no campo da Terra, atravessaram um “véu de ignorância” que os mantém separados da dimensão da qual estou falando neste momento. Este véu é como um par de óculos que, uma vez colocado, faz com que acreditem que são um Eu separado, trancado dentro de um corpo. Na verdade, o véu da ignorância os capacita a vivenciar a dualidade na Terra, portanto tem seu valor, mas o momento atual está propício para que o véu se torne mais transparente e permita uma comunicação maior entre os dois lados. Existem cada vez mais pessoas que buscam o outro lado do véu e que percebem que são unas com algo maior do que simplesmente “este corpo” e “esta personalidade”. Quanto mais pessoas fazem isto, mais se forma um canal por onde a energia cósmica amorosa se derrama na dimensão da Terra. É nesta onda de energia cósmica que as novas crianças viajam.
Tente sentir a energia dessas crianças por uns instantes. Sinta a onda de energia cósmica na qual elas viajam. Não pense nisto, apenas abra seu coração e permita que as sensações o atravessem. Essas crianças vibram em um nível mais elevado. A energia delas pode parecer brincalhona, alegre, leve como a de uma borboleta e, ao mesmo tempo, de uma sabedoria e profundidade incomuns. Elas escolhem, muito conscientemente, personificar uma grande parte de suas almas, de seus seres divinos, na Terra. Fazem isto porque desejam contribuir para a transformação da consciência na Terra e têm total consciência de que isto pode lhes trazer muitos problemas. No nível do Eu Superior, da parte mais consciente delas, elas fizeram esta escolha conscientemente. Mas no nível do ser emocional (ou “criança interior”), podem ficar traumatizadas ao se confrontarem com a realidade da Terra. Elas correm o perigo muito real de se perderem e se perturbarem no campo da Terra, já que não podem desligar sua sensibilidade e vibração elevada quando estão em um ambiente menos desenvolvido. Assim, ou elas terão que encontrar um espaço na Terra para expressar sua energia com segurança e liberdade, ou terão que lidar com intensas frustrações e dúvidas internas. Então, veja como essas almas são corajosas e amorosas, ao correrem os riscos que correm! Essa mesma coragem e poder de amor foram demonstrados por você, quando encarnou na Terra.
Agora falarei sobre algumas características desta nova geração de crianças. É lógico que nem todas as crianças são iguais, e algumas apresentam estas características mais do que outras. Há uma condição na qual todas as crianças de hoje são “diferentes”. Elas entram através de um véu diferente (mais fino) e com a intenção de expressar muito mais da sua alma na matéria do que jamais foi expresso. Mas cada alma tem seu próprio desenvolvimento e, dentro desta nova geração de crianças, existem as extremamente sensíveis, que são mais diferentes do que o resto e que geralmente são chamadas de “crianças da nova era” ou simplesmente “novas crianças”. Agora vou enumerar algumas das características mais importantes deste grupo específico de crianças, mas tenha em mente que estas características também se aplicam, em menor grau, a todas as crianças de hoje. Na verdade, através do desenvolvimento da consciência em uma escala coletiva, está surgindo um “novo ser humano” na Terra. A espécie humana está evoluindo para um ser humano mais inteligente, social e espiritualmente, capaz de viver em harmonia com a natureza e conectado com seus companheiros humanos através de um senso de unidade e respeito. Estas crianças prenunciam este desenvolvimento em direção a um “novo ser humano”.
Características das novas crianças
- As novas crianças são cada vez mais clarisencientes, empáticas e telepáticas. Elas absorvem facilmente os estados de humor e emoções de outras pessoas. A fronteira entre o mundo percebido pelos cinco sentidos e o mundo invisível dos sentimentos e energias é muito fluida para elas. Geralmente elas percebem o lado interno das coisas com tanta facilidade com que percebem o lado externo (físico). Elas não são enganadas por comportamentos externos que não refletem verdadeiramente o que está se passando internamente. Sua percepção interna é perspicaz.
- As novas crianças são pacificadoras. Elas sentem um impulso para unir grupos opostos e apaziguar conflitos. Junto com suas capacidades intuitivas, isto geralmente significa que elas amadurecem cedo e são muito sábias para sua idade. Com freqüência elas compreendem seus pais em um nível mais profundo do que eles entendem a si próprios ou um ao outro. Elas tentam ajudá-los ou construir uma ponte de compreensão entre eles. Elas facilmente tornam-se “pais dos seus pais” e isto pode lhes roubar sua parte infantil, espontânea e desinibida. Quando se identificam intensamente com o papel de ajudante, elas podem carregar um fardo muito grande de responsabilidade.
- As novas crianças são idealistas. São espiritualizadas, filosóficas e imaginativas. São inspiradas por ideais de igualdade, fraternidade e respeito pela natureza. Geralmente é possível notar, na aura delas, que os dois chacras superiores estão bem abertos. Através destes dois centros energéticos superiores, elas recebem freqüentemente muita inspiração, insight e entusiasmo. Mas, por outro lado, elas podem facilmente tornar-se irrequietas, excessivamente sonhadoras e irrealistas, devido à grande abertura destes chacras superiores. A energia dessas crianças ainda não está totalmente assentada na Terra; ela ainda precisa conectar-se completamente com o corpo e com o plano da realidade terrena.
- As novas crianças são mais sensíveis do que pensadoras. Elas têm dificuldade para se ajustar a estruturas pré-estabelecidas que deixam pouco espaço para a intuição, a imprevisibilidade e a individualidade. Elas realmente estão aqui para nos ensinar a nos libertarmos de uma tradição que enfatizava excessivamente o pensamento e a análise. Todas as crianças são, até certo ponto, mais sensíveis do que pensadoras. Mas, o que distingue as crianças mais sensitivas das outras é que, tanto física quanto emocionalmente, lhes é impossível adaptar-se a um ambiente rígido e exageradamente estruturado. E acabam ficando doentes ou apresentando graves distúrbios comportamentais. Elas já se encontram tão ancoradas em uma consciência baseada no coração, que não podem mais voltar atrás.
- Devido à sua percepção altamente intuitiva e à sua incapacidade de se adaptar, estas crianças podem ser vistas como obstinadas, rebeldes e “diferentes”. Na verdade, elas não têm a intenção de ser rebelde. Simplesmente querem ser elas mesmas. Mas, quando sentem que não há espaço para isto, podem se tornar solitárias e até mesmo marginais, vivendo à margem da sociedade. Por serem menos dirigidas pelo medo e a necessidade de autopreservação, são menos receptivas à disciplina e à autoridade. No entanto, podem sofrer intensamente e ficar confusas com a falta de compreensão que encontram. Podem se sentir alienadas e solitárias por causa disso e se perguntarem qual é a razão de suas presenças na Terra. Mas, quando uma criança dessas encontra seu caminho na vida e começa a expressar sua energia criativa e espiritual na forma material, ela desabrocha, e muitas pessoas são tocadas pela profundidade de suas idéias e pela sua maneira gentil e não-competitiva de lidar com as pessoas.
Problemas enfrentados pelas novas crianças
Resumindo, estas características já mostram os problemas nos quais as novas crianças podem esbarrar. O maior problema é que sua energia específica não é reconhecida nem compreendida pelas pessoas que as cercam. Quando não lhes são oferecidos os meios e oportunidades para expressar seus sentimentos e existe uma falta de comunicação verdadeira, podem surgir muitos “distúrbios comportamentais”.
As crianças podem se tornar rebeldes, geniosas e difíceis de lidar. Elas se sentem incompreendidas e maltratadas, e realmente querem dizer “não” para isto, mas não sabem como, pois ainda não possuem a habilidade de se expressar e comunicar corretamente. O que acaba acontecendo é que elas mesmas não conseguem mais entender o que se passa no interior de si mesmas. Quando a vida interior dessas crianças não é refletida de volta para elas através de pais ou professores compreensíveis, que dão nomes aos seus sentimentos e ouvem-nas com o coração aberto, elas podem se fechar em si mesmas e agir de um modo que parece irracional e impossível de se lidar. Neste ponto, é necessária muita atenção e uma percepção profundamente sintonizada, para entender o que está mexendo com essas crianças, já que elas mesmas perderam contato com seus sentimentos.
Inclusive pode acontecer que essas crianças, por se sentirem mal recebidas e mal compreendidas, se afastem e se desconectem do seu ambiente. Elas não descarregam suas emoções através de comportamentos agressivos e fora da lei, mas se trancam no seu próprio mundinho, ficando difícil chegar a elas. Geralmente essas crianças são extremamente sensíveis, reagindo intensamente às energias discordantes ao seu redor. Como é difícil de se imaginar como é ser tão sensível, seus limites são facilmente ultrapassados, e então, para sobreviver emocionalmente, elas fecham seu centro do sentimento. Este mecanismo de sobrevivência geralmente é chamado de “autismo”. É um paradoxo que as crianças autistas sejam consideradas não-empáticas (isto é, incapazes de enxergar as coisas através da perspectiva de outras pessoas), porque são extremamente sensíveis. Pode-se dizer que elas têm tanta dificuldade para se manter dentro dos seus próprios limites, que não podem se permitir envolver-se com os outros, expandindo sua consciência de modo a incluir os outros. Elas sentem que seu mundo desmoronaria se fizessem isto, e que seriam engolidas pelo caos. Portanto, o comportamento não-empático da criança autista vem de uma enorme impressionabilidade em relação à energia dos outros. É para lidar com esta sensibilidade opressiva que ela busca se proteger e se fecha emocionalmente. O comportamento não-empático ou anti-social das crianças autistas é um mecanismo de sobrevivência e não uma característica essencial da alma.
As crianças que tentam resolver seus problemas de uma forma extrovertida (rebeldia, agitação, falta de concentração), bem como aquelas que procuram uma solução introvertida (afastando-se ou fechando-se emocionalmente) compartilham uma série de características em comum.
- Sentem que não são bem recebidas, que não são reconhecidas nem verdadeiramente apreciadas pelo que são.
- Não estão firmemente enraizadas ou assentadas em seus corpos físicos. Isto pode ser literalmente percebido em suas auras que freqüentemente não se conectam completamente com a Terra na parte inferior. Na prática isto quer dizer que elas carecem de uma base emocional ou âncora de segurança que lhes possibilite explorar o mundo de uma forma relaxada e aberta. Existe uma sensação básica de “não estar á vontade”, que faz com que lhes seja difícil “simplesmente ser” de um modo despreocupado.
- Como resultado, elas podem apresentar sintomas físicos e distúrbios e/ou reagir intensamente a certos alimentos ou substâncias.
- Quando crescem e se tornam adolescentes, podem ter dificuldade para encontrar seu lugar na sociedade (encontrar a forma correta de educação ou um trabalho que lhes sirva).
Gostaria de falar um pouco mais sobre como se pode oferecer apoio a estas crianças e adolescentes, para que se sintam acolhidas e encontrem formas apropriadas de auto-expressão. Mas, em primeiro lugar, quero enfatizar que é muito importante não pensar em termos de culpa, quando falamos sobre as causas dos problemas que as novas crianças vivenciam. Os pais dessas crianças geralmente fazem o máximo para apoiá-las e cuidar delas com carinho. Vários pais estão muito conscientes das qualidades especiais dos seus filhos e estão ficando cada vez mais sintonizados intuitivamente com eles. Através da sua abertura e disposição, tem lugar um grande aprendizado. São estes pais que, junto com seus filhos, vão abrir caminho na sociedade e prepará-la para novas formas de se lidar com as crianças.
O confronto um tanto doloroso, que as novas crianças experimentam com a realidade da Terra, foi escolhido conscientemente. Elas vêm para trazer algo de novo, e sabem disto no fundo de seus corações. Isto coloca suas dificuldades dentro de uma perspectiva diferente. No nível da alma, elas assumem a responsabilidade por tudo o que encontram em sua vida; elas aceitam os contratempos e obstáculos. A sociedade não está “contra elas”. A sociedade está dormindo, em muitos aspectos. É o sono dos velhos hábitos, e a chegada das novas crianças é um chamado para despertar. Sim, elas são um pouco como você; pode sentir isto? A geração anterior de trabalhadores da luz passou pelos mesmos dilemas pelos quais estas crianças estão passando; com a diferença que, na época atual, as coisas estão tomando impulso e chegando a um ponto decisivo. As novas crianças são tanto a causa quanto o efeito desta aceleração.
Orientando as novas crianças
Ao orientar as novas crianças, como pai, professor ou terapeuta, o ponto de partida é sempre se conectar internamente com a realidade individual de cada criança em particular. A base da verdadeira ajuda é a disposição para se abrir para o modo da criança experienciar a vida e se sintonizar com aquilo que ela lhe comunica verbal ou não verbalmente. A qualidade mais importante que se possui, quando se deseja lidar com essas crianças, é a capacidade de ouvir e estar aberto para algo novo. É menos relevante ter conhecimentos ou habilidades específicas. Isto pode até atrapalhar. As teorias sobre crianças da nova era freqüentemente partem de classificações gerais do comportamento externo. Síndromes e diagnósticos baseiam-se em sintomas observáveis externamente. Mas o que falta aí, e o que é vital para se conseguir tocar essas crianças com sucesso, é uma conexão interna com aquilo que a criança está experienciando: os sentimentos e emoções que provocam o comportamento exterior.
Para se olhar para alguém de uma forma aberta e sem preconceitos, é preciso abandonar conceitos e expectativas pré-concebidos. Você só consegue se conectar genuinamente com alguém (seja quem for), se em primeiro lugar se desapegar de tudo o que pensa que sabe a respeito dessa pessoa. Só então haverá espaço para estar presente no agora, de um modo verdadeiramente sensível e intuitivo. Esta também é uma forma maravilhosa de dar as boas-vindas a alguém, pois assim você está se permitindo ser tocado pela energia da alma dessa pessoa.
A partir de uma atitude tão fundamentalmente aberta – que é sentir a natureza do outro em vez de pensar – você consegue entrar em uma comunicação com a outra pessoa, que se torna benéfica e enriquecedora para ambos. A interação com uma criança nunca é unilateral. No relacionamento, vocês dois são professores em alguns pontos e alunos em outros. Isto é o que caracteriza todos os relacionamentos espirituais significativos.
Quando o relacionamento entre orientador e criança é definido de maneira tão clara e transparente, existem muitas possibilidades de amparar a criança em seu desenvolvimento. Mostrarei alguns desses caminhos, de um modo geral, que não pretende ser completo, mas apenas indicar uma espécie de direção geral.
- Avaliação positiva das suas qualidades únicas(que tornam a criança “diferente”).
Ajude-a a se lembrar de quem ela é. Ajude-a a perceber que sua alta sensibilidade e idealismo fazem parte das qualidades mais bonitas que ela possui. Permita que ela mesma se expresse a respeito dos aspectos em que se sente “diferente” e encoraje-a a descobrir como essas qualidades enriquecem e contribuem positivamente com o mundo. Encontre formas criativas em que ela possa expressar sua alta sensibilidade, de modo que isto lhe traga alegria. Junte-a com outras dessas crianças e deixe que elas compartilhem suas energias.
- Desenvolvimento intuitivo.
Treinar suas capacidades intuitivas de forma divertida, ajudando-a a se conectar com seu corpo e suas emoções, reforça a autoconsciência. Conectar-se com a Terra, conhecer seus próprios limites e usar sua própria intuição para descobrir o que é bom para si mesmo, são habilidades que estas crianças sensíveis conseguem aprender facilmente, enquanto são jovens e descontraídas, ainda livres de autocontrole. Quando já são um pouco mais velhas, podem se sentir mais inibidas em relação à sua tendência natural a sentir, imaginar e fantasiar. Se for este o caso, é importante, em primeiro lugar, ajudar a criança ou adolescente a se conscientizar das emoções ou crenças limitadoras que bloqueiam o fluxo da sua intuição. Quando há problemas a este respeito, na maioria das vezes o fluxo de energia nos três chacras inferiores está bloqueado. Existem medos, frustrações e decepções nessas crianças que provocam sensação de insegurança, depressão e até vontade de morrer.
- Respeite a maturidade dessa criança enquanto alma.
Saiba que a grande sensibilidade e o fato de “ser diferente” foi uma escolha consciente dela e confie em sua capacidade inerente de resolver seus problemas. Não a trate como vítima. Apele para seus dons e talentos e, sempre que possível, permita que ela encontre suas próprias respostas e soluções. Encoraje-a a entrar em contato com sua paixão e inspiração, e ajude-a a descobrir como expressar e manifestar a sua energia inspiradora na Terra de um modo prático.
- Abra espaço para a auto-expressão.
A energia das novas crianças e adolescentes pode ser tão etérea e idealista que pode parecer intangível. É importante que elas se expressem na forma material. Pode ser de um modo criativo, como pintando ou compondo música, ou pode ser através de esportes ou jogos. O importante é que elas saibam como “aterrar” sua energia e torná-la visível para os outros. Desta forma, elas canalizam sua energia para a Terra. Em todas esta coisas, o ponto de partida deveria ser que elas gostem de se expressar na forma material. Quando são incentivadas a explorar e experimentar livremente, elas encontram, por si mesmas, as formas mais convenientes para elas.
- Medicina alternativa
Formas de tratamento suaves, holísticas, como leitura de aura, tratamentos e remédios alternativos, podem ser muito úteis para se lidar com os sintomas físicos destas crianças, que se relacionem com seu excesso de energia e sua condição psicológica. Por serem muito sensíveis à energia, estas crianças reagem facilmente a formas de tratamento focadas principalmente no nível energético (na psique) e apenas de modo secundário no corpo. No entanto, também é importante que não se escolha um tratamento ou remédio baseado somente nos sintomas externos, mas que se faça uma conexão interna com a situação exclusiva daquela criança em particular. Como pais ou terapeuta, pode-se perguntar à criança, no nível interno, se tal tratamento é benéfico para ela. E uma vez que ela já tenha idade suficiente, a própria criança pode ser envolvida nessa escolha.
- Educação.
Formas iluminadas de educação tomam como ponto de partida a criança e seu mundo interior. No passado, o conhecimento geralmente era “despejado” na criança num estilo “de cima para baixo”. Ela era considerada um recipiente vazio que precisava ser preenchido com habilidades e conhecimentos úteis. No entanto, quando se enxerga a criança como uma alma madura com seus próprios interesses e metas, a educação passar a ter uma forma muito diferente. O desafio não é tanto transformar o nada em alguma coisa, mas despertar e liberar algo que já está presente dentro da criança: a energia natural da sua alma que deseja se manifestar e se expressar no mundo material. A criança tem uma tendência natural a querer aprender, explorar e descobrir muitas coisas sobre o mundo. Só quando ela é sistematicamente forçada a receber um conhecimento que não se relaciona com o modo com que ela experiencia as coisas, é que a criança se torna relutante e sem vontade de aprender. A base da nova educação é preservar e trabalhar com a ânsia natural que a criança tem de aprender. Neste tipo de abordagem, o papel do professor é bem diferente. O que lhe é pedido, em primeiro lugar e principalmente, é que esteja presente com a criança de um modo aberto e intuitivo. O professor parte da suposição de que se pode confiar nas capacidades naturais e únicas de cada criança. Ele permite que a criança mostre o caminho, dando-lhe suporte através do fornecimento do conhecimento e dos materiais que ela precisa para atingir suas metas.
Lidando com o sofrimento do seu filho
Se você é pai ou mãe de uma criança sensível e percebe as dificuldades que ela tem que passar ao lidar com o mundo, você deseja de todo o coração protegê-la e salvá-la do mal. Sem perceber, você pode começar a enxergar o mundo exterior como inimigo e o seu filho como a vítima vulnerável. Pode ficar com medo e imaginar se algum dia seu filho vai conseguir enfrentar a vida sem você. Ao observar o sofrimento do seu filho, você pode ser levado de volta aos seus próprios medos, tristezas e desilusões mais profundos. No entanto, a presença desta criança em especial na sua vida sempre tem uma lógica oculta. Existe um significado mais profundo, que tem uma intenção positiva. Uma forma de desvendar essa lógica e esse significado é olhar a criança de um modo diferente; é enxergá-la, não como um pequeno ser indefeso, mas como um professor – um anjo, se você preferir – que veio lhe trazer uma mensagem. Convido-o a me acompanhar na seguinte meditação. Se você não tiver um filho, pode convidar uma criança imaginária para vir a você.
Imagine que você está caminhando por um lindo jardim. Abra o seu coração para esse mundo de paz e serenidade e deixe o seu olhar vaguear pelos arredores. Há muitas plantas e flores no jardim. Sinta o ritmo das estações, ciclos no tempo que se alternam suave e vagarosamente por si mesmos.
Agora você olha para o seu lado e percebe que uma criança está caminhando perto de você. Tome a primeira criança que vier à sua imaginação. Ela toma a sua mão silenciosamente e vocês caminham juntos pelo jardim, inspirando a beleza da natureza.
Depois de algum tempo, você repara num lugar convidativo para se sentar. Pode ser um pequeno banco ou um espaço aberto no meio das árvores. Vocês dois se sentam ali. Passado mais algum tempo, você nota que está havendo uma transformação. Lentamente o rosto da criança vai mudando e se transformando no rosto de um anjo. Você vê como a criança adquire uma radiação brilhante e se torna mais etérea, pertencendo a um mundo diferente. Talvez você note algumas cores ao redor do anjo-criança.
Silenciosamente você observa esse anjo e fica deslumbrado com a sua aparência. E sente que você está diminuindo, voltando a ser pequeno como uma criança outra vez. Libere o peso de ser um adulto, por uns instantes, e sinta novamente a sensação de deslumbramento que é tão natural para uma criança. Com os olhos muito abertos, você fita aquele anjo magnífico que está olhando para você e sente que ele (ou ela) está querendo lhe dizer alguma coisa. Ele faz isto transmitindo-lhe uma energia através dos olhos dele. Você inspira essa energia e sente a essência dela.
Então você faz uma pergunta para o anjo: “Por que você veio à Terra? Qual é o presente que você está trazendo?” E deixa o anjo falar. Não precisa ser com palavras – ele também pode falar através dos sentimentos. Então, de repente você sabe, sem palavras ou imagens que interfiram. Quando tiver recebido a resposta, conte para o anjo e pergunte-lhe: “O que é a coisa mais elevada que eu posso fazer por você? Como posso apoiá-lo, da melhor forma possível, na sua missão, nos seus empenhos?”
Deixe que o anjo-criança lhe diga, em palavras ou em sentimentos.
Depois lhe diga adeus, enquanto sente que foi feita uma conexão duradoura entre vocês, de coração para coração.
Com freqüência, aquilo que a criança mais precisa de você é algo que também o ajuda. O traço de personalidade ou energia, que é mais necessária para amparar a criança, geralmente é o traço de personalidade ou energia que você, no nível da alma, deseja desenvolver e dominar para si mesmo. Deixe-nos dar alguns exemplos.
Digamos que você tenha um filho introvertido que esconde seus sentimentos e com o qual é difícil se comunicar. O que isto está lhe pedindo é que você aprenda a se sintonizar intuitivamente com ele, seja paciente, e tenha vontade de olhar para os seus próprios sentimentos em profundidade. Isto ajudará esta criança. Muito freqüentemente é ótimo para os pais que eles desenvolvam exatamente as mesmas qualidades que são úteis ao seu filho. Talvez você seja uma pessoa que tem crenças muito fortes a respeito de várias coisas, ou talvez seja muito prática e eficiente e nunca tenha explorado muito os campos da emoção e dos sentimentos. Seu filho convida-o a restabelecer esse equilíbrio. Então, embora superficialmente pareça que a criança lhe apresenta apenas um problema, existe um significado mais profundo escondido dentro desse problema: o desafio para que você desenvolva certas qualidades que cabem muito bem no seu próprio caminho específico de crescimento interior.
Outra possibilidade é que você tenha um filho muito vivo e decidido, que ultrapassa facilmente os seus limites, forçando-o a falar alto e deixar claro o que você aceita e não aceita. Esta criança pode aborrecê-lo freqüentemente e às vezes você pode se sentir oprimido pela presença dela. O que esta criança lhe pede é que esclareça, para si mesmo, quais são os seus próprios limites, para que consiga comunicar suas necessidades e vontades de um modo firme e consciente. Se houver muito conflito entre vocês, isto geralmente indica que você ainda não se decidiu sobre o que tolera e não tolera. Seu filho encoraja-o a definir claramente o seu próprio espaço e a determinar o que pensa sobre o seu relacionamento com ele – e isto geralmente projeta luz sobre todos os seus outros relacionamentos. O comportamento da criança (e sua reação a ele) amplia um problema que já existia. Muito provavelmente, você já tinha um problema de auto-afirmação antes do seu filho nascer. Agora esta criança lhe pede para se tornar verdadeiramente consciente de quem você é e para defender a si mesmo, e isto é exatamente o que você precisa no seu próprio caminho de desenvolvimento interior.
Ao desenvolver as qualidades que apóiam a criança, você está ajudando a ambos. E se acrescentar a isto a sua compreensão, amor, independência e autoconsciência, você pode se tornar um modelo de comportamento para seu filho, um farol de luz. Deste modo, através de um processo inspirador de crescimento e cura, uma nova energia está nascendo na Terra. Uma tocha de luz está sendo passada de uma geração para outra, e está brilhando cada vez mais intensamente.
Nós louvamos todos vocês por sua dedicação, amor e comprometimento. Desejamos que experienciem alegria e divertimento nesta jornada de exploração que estão empreendendo junto com as crianças da nova era. Esperamos que tenham compaixão por elas, mas principalmente por si mesmos, pois certamente cometerão erros. (Lembrem-se que os erros sempre são as ferramentas mais importantes de aprendizado). Confiamos que suas tochas continuarão queimando e que espalharão muitas faíscas para os portadores da tocha que virão depois de vocês. Mas independente do que fizerem, independente de vivenciarem alegria ou desespero, independente de serem compassivos ou serem julgadores, independente de serem abertos e confiantes ou tristes e deprimidos, nós os amamos e continuaremos lhes oferecendo nosso apoio e estímulo. Vocês são muito queridos. Sempre.
Perguntas e respostas
Depois da canalização, houve espaço para perguntas e respostas. Algumas delas foram transcritas abaixo.
O que posso fazer pela minha filha autista que tem 6 anos de idade?
Em primeiro lugar, eu gostaria de lhe dizer que você ama imensamente a sua filha e que o seu amor é palpável para ela. Com isto, o mais importante já foi dito. O seu amor envolve-a em um abraço constante e silencioso. Isto não apaga os problemas que ela tem, nem as dificuldades que você vivencia em relação a ela, mas é o pré-requisito para que as coisas funcionem em suas vidas. Então sinta isto você mesma por alguns instantes; sinta a sua integridade e a sinceridade do seu amor: esta é a dádiva mais preciosa que se pode oferecer a uma criança.
É compreensível que você se sinta em dúvida, e até mesmo desesperada às vezes, mas, no âmago disso tudo, existe um profundo amor que une vocês duas. Se as coisas não estão indo como você esperava, a culpa não é de nenhuma das duas. Existe alguma coisa que ela deseja passar e com a qual deseja lidar nesta vida – uma razão especial para ela ter este problema em particular. A intenção dela é estar aqui na Terra de um modo muito puro. Ela carrega dentro de si uma energia muito pura e bem preparada, que tocará muitas pessoas. Mas é necessária muita paciência, da sua parte e da dela, para que esta energia desça intacta à Terra. Ela escolheu… é complicado colocar isto em palavras, de uma forma exata… ela escolheu trazer uma energia pura e evoluída para a Terra e ser relativamente desprotegida neste empreendimento. Então, sua energia não está sintonizada com a energia da realidade da Terra e ela precisa de um tradutor, alguém que a ajude a fazer a tradução para a realidade da Terra. Ela escolheu conscientemente esta falta relativa de proteção e uma alta sensibilidade porque, desta forma, a vibração que ela carrega dentro de si pode se manter em um nível elevado.
Podemos colocar isto da seguinte forma (agora estou falando de um modo mais geral): quando se tem um filho “normal”, no sentido de que se adapta às expectativas do mundo externo, esta criança se esquecerá de si mesma com mais facilidade, isto é, perderá contato com a energia original da sua alma. Ela será influenciada mais facilmente pelas exigências e padrões da sociedade e nem mesmo os pais mais sensíveis e iluminados poderão impedir que isto aconteça. Crianças com distúrbios comportamentais, como o autismo por exemplo, não se adaptam com tanta facilidade. Mas, por causa disto, a energia da alma da criança é preservada mais facilmente. Ela não arreda pé, por assim dizer. As pessoas ao redor desta criança terão que se adaptar a ela, ao invés do contrário. Esta situação geralmente é bem difícil para os pais, professores e médicos. Mas existe um tesouro escondido no problema. O fato de a criança “ser diferente” desafia o ambiente ao seu redor a encontrar novos meios de comunicação, refletir sobre suposições que antes pareciam evidentes e ser verdadeiramente aberto à realidade interna da criança.
O que lhe é pedido, no seu relacionamento com sua filha, é especialmente que você tenha confiança nesta criança e que se sintonize com as necessidades dela. Você faz isto muito bem! Há muito espaço interno no seu ser. Confie que sua filha escolheu seu caminho de vida, que ela projetou certos marcos na sua vida e que os escolheu como pais, para que juntos pudessem torná-la capaz de irradiar sua Luz na Terra. Vocês estão fazendo um trabalho excelente!
Observações adicionais da Pamela: depois da sessão, fiz uma leitura de aura intuitiva desta criança para a mãe dela, baseada em uma fotografia. Isto mostrou que o autismo estava relacionado com uma experiência de vida passada. Esta é uma transcrição literal da leitura:
Vejo muita energia azul clara sobre a cabeça dela, na forma de pedras transparentes e brilhantes, que estão ligadas a uma forma oval localizada sobre o chacra da coroa. Aí existe uma energia de alta vibração; ela contém uma compreensão profunda da vida e da psique humana. Sinto que ela viveu uma vez na Terra e teve uma experiência espiritual forte, ou uma experiência de percepção expandida, durante a qual ela teve muitos insights, como uma epifania. Como resultado disto, o comportamento e os motivos das pessoas à sua volta tornaram-se transparentes para ela, inclusive os jogos silenciosos de poder, que estavam acontecendo na sua comunidade. Mas ela teve dificuldade para integrar esse conhecimento na sua vida diária. Sinto que ela ficou doente, que ficou mal, tanto no nível do corpo quanto no psicológico. Ela não conseguia expressar sua verdade, porque o ambiente ao seu redor não a compreenderia, não estava em condições de entendê-la. Isto fez com que ela ficasse muito ansiosa; ela sentia que possuía um conhecimento que poderia ajudar outras pessoas e prevenir que sofressem, no entanto era impossível falar sobre isso, porque ela iria presa. Tenho a impressão que ela não conseguiu resolver este dilema durante essa vida passada e que sucumbiu ao estresse emocional e aos problemas físicos que foram o resultado de não ser capaz de integrar aquela consciência mais elevada no seu ser físico. Ela se fechou emocionalmente e isto teve um efeito na sua garganta (auto-expressão), no coração (conexão com os outros) e nos três chacras inferiores (sentir-se segura e querida).
Sinto intensamente que esta é a razão de ela ter vindo para você (a mãe dessa criança). Você também carrega algo dessa marca (a qualidade de uma percepção elevada) no seu campo áurico, de modo que existe uma conexão natural com ela. Inclusive há uma energia vermelha perto dos seus chacras inferiores, o que mostra que você é capaz de defender a sua verdade, embora isto tenha sido difícil para você algumas vezes. Sinto que a sua presença em si já tem uma influência curadora na sua filha. Isto é maravilhoso! Ela quer ser curada nesta vida, passo a passo. Vocês, como pais dela, são parte da solução, não do problema.
Meus dois filhos são muito sensíveis, mas cada um de um modo diferente, e então eles brigam e discutem o tempo todo. Para mim, isto é muito difícil de presenciar. Acabo brigando e discutindo com eles também, quando na verdade sou uma pessoa que precisa de paz e harmonia ao meu redor. Como posso lidar com isto?
É muito importante que você se mantenha na sua própria verdade, que siga a sua intuição e coloque alguns limites claros no seu relacionamento com os outros. Sua consciência tem facilidade para escorregar para dentro dos dois chacras superiores (terceiro olho e coroa), de onde você se sintoniza com as emoções de outras pessoas e compreende os motivo delas. Mas perde a conexão com seu chacra básico, na área do seu abdome, que lhe mostra o que você sente, o que você precisa e o que você quer. Você perde contato com a sua própria criança interior (a sede das emoções) e torna-se não-aterrada [desconectada da energia da Terra].
Você mesma é muito sensível e sua sensibilidade contém muita empatia e envolvimento com os outros. Você tem o desejo de estar conectada, de estar junto com os outros, mas com isto muitas vezes você se põe a descoberto. É muito importante levar a sério as suas próprias emoções de raiva e resistência e permitir uma mudança de energia no seu interior, de modo que se restabeleça o equilíbrio entre dar e receber.
Existe uma razão para a luta em que você se encontra com os seus filhos. Ela a desafia a ser mais clara em relação aos seus limites e a exigir que eles sejam respeitados. Geralmente isto é um problema para pais que são muito sensíveis e querem compreender seus filhos e não desejam feri-los. No papel de pais, muitas vezes eles perdem o equilíbrio porque reprimem suas próprias emoções e perdem de vista sua própria criança interior. Você deveria ser mais mais autoconfiante e “autocentrada” no seu relacionamento com seus filhos.
Ao se tornar mais autoconsciente e determinada, você será capaz de estabelecer um exemplo para seus filhos e lhes mostrar o que é ser uma pessoa altamente sensível e autoconfiante. Ao incorporar esta energia de equilíbrio, você lhes ensina muito mais do as palavras poderiam ensinar. Então, dê a si mesma mais espaço para se expressar e verá que isto vai torná-la mais aterrada [conectada com a energia da Terra] e vai lhe dar a verdadeira paz e harmonia que você está procurando.
Como posso realizar a minha intenção de trabalhar com crianças? Sinto-me inspirada a trabalhar com crianças da maneira que você descreveu, mas ao mesmo tempo sou inibida pelos meus medos de fracassar e pela minha dúvida de que “ninguém lá fora está esperando por mim”. Várias e várias vezes o meu fluxo externo de auto-expressão é interrompido pela minha insegurança. Como posso lidar com isto?
Existe um anseio autêntico no seu interior, que vem da sua alma. É importante cultivar este anseio e tratá-lo de um modo gentil e carinhoso. Além do entusiasmo, este anseio também desperta o medo dentro de você. Ele traz à superfície uma antiga ferida que vem da sua infância e também de uma vida anterior a esta, quando você foi rejeitada pelas qualidades específicas que você deseja expressar mais uma vez agora. A experiência de rejeição (violenta) deixou um trauma na sua alma. Este trauma faz com que agora você resista e hesite, enquanto uma outra parte sua quer voltar a manifestar a verdadeira energia da sua alma. O primeiro passo, o passo crucial para curar a si mesma é compreender e aceitar esta herança. Ao ser impaciente consigo mesma e julgar seus sentimentos e inseguranças, você nega a sua dor interna que deseja ser reconhecida e trazida à consciência.
Dedique um tempo para curar sua criança interior ferida. Seu entusiasmo indica a direção certa, mas também pode deixá-la inquieta, pois você está querendo superar suas feridas internas muito rapidamente. Lembre-se que, em essência, este processo pelo qual você está passando não se refere à sua manifestação no mundo externo. Ele se refere à sua cura. O primeiro e mais importante objetivo de qualquer alma encarnada na Terra é a auto-realização: é amar-se e aceitar-se como você é e experienciar a intensa libertação que isto lhe traz. Esta é a fundação de toda energia verdadeiramente criativa e espiritual. Uma vez que essa fundação é assentada, o fluxo de manifestação externa vem facilmente e sem esforço.
O fato de você querer viver e ser no mundo a partir do seu coração, mostra que você está preparada para se dirigir ao âmago do medo e da escuridão que ainda existem em você. O desejo de expressar a energia da própria alma na Terra sempre chega no momento em que se está pronto para um nível profundo de autocura. Conforme você for se preparando para expressar a inspiração do seu coração na Terra, irá, mais do que nunca, se desapegar do passado, da sua educação e de todos os relacionamentos que não a sustentam mais. A conexão com sua alma cria muito movimento na sua vida e poderá parecer que você está dando um passo para trás, antes que sua energia espiritual possa adquirir forma material. Começarão a ocorrer mudanças na sua vida e as coisas poderão até ficar meio caóticas e confusas por algum tempo. Mas é assim mesmo que deveria ser. Não duvide de si mesma quando o processo de manifestação dos desejos da sua alma passar por guinadas e solavancos. Essas guinadas e solavancos é que a farão perceber quem você realmente é e o que tem para oferecer aos outros. O fato de você passar pelo medo e a insegurança, de encará-los e aceitar a presença deles, fará com que se torne mais compassiva e amorosa com os outros. Ao abandonar o julgamento e verdadeiramente aceitar aquela que você é neste momento, você se tornará sábia; compreenderá que realmente se trata de você e não dos outros. E nesse momento, os outros começarão a vir até você. Eles verão algo em você que os inspira. As oportunidades de manifestar a inspiração da sua alma se apresentarão facilmente. Você estará pronta e saberá disto.
© Pamela Kribbe 2008
www.jeshua.net
Tradução: Vera Corrêa veracorrea46@ig.com.br
Revisão: Luiz Corrêa
quarta-feira, 16 de julho de 2008
ORAÇÃO NOSSA DE CHICO XAVIER
Oração Nossa
Senhor,ensina-nos: A orar sem esquecer o trabalho;
A dar sem olhar a quem; A servir sem perguntar até quando;
A sofrer sem magoar seja quem for; A progredir sem perder a simplicidade;
A semear o bem sem pensar nos resultados; A desculpar sem condições;
A marchar para frente sem contar os obstáculos;
A ver sem malícia; A escutar sem corromper os assuntos;
A falar sem ferir; A compreender o próximo sem exigir entendimento;
A respeitar os semelhantes, sem reclamar consideração;
A dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever, sem cobrar taxas de reconhecimento;
Senhor, fortalecer em nós a paciência dos outros para com as nossas dificuldades;
Ajuda-nos sobretudo, a reconhecer que a nossa felicidade mais alta será, invariavelmente, aquela de cumprir-Te os desígnios onde e como queiras, hoje, agora e sempre.
(Chico Xavier/Emmanuel)
Senhor,ensina-nos: A orar sem esquecer o trabalho;
A dar sem olhar a quem; A servir sem perguntar até quando;
A sofrer sem magoar seja quem for; A progredir sem perder a simplicidade;
A semear o bem sem pensar nos resultados; A desculpar sem condições;
A marchar para frente sem contar os obstáculos;
A ver sem malícia; A escutar sem corromper os assuntos;
A falar sem ferir; A compreender o próximo sem exigir entendimento;
A respeitar os semelhantes, sem reclamar consideração;
A dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever, sem cobrar taxas de reconhecimento;
Senhor, fortalecer em nós a paciência dos outros para com as nossas dificuldades;
Ajuda-nos sobretudo, a reconhecer que a nossa felicidade mais alta será, invariavelmente, aquela de cumprir-Te os desígnios onde e como queiras, hoje, agora e sempre.
(Chico Xavier/Emmanuel)
O VEGETARIANISMO COMO OBRIGAÇÃO ÉTICA
O Vegetarianismo como Obrigação Ética
Por Miguel Moutinho
Departamento de Filosofia da Universidade de Lisboa
Centro de Ética Aplicada da Sociedade Portuguesa de Filosofia
Sociedade Ética de Defesa dos Animais | ANIMAL
Centro de Estudos de Direito dos Animais
Introdução
Fundamentalmente, há três possíveis vias de argumentação a favor do vegetarianismo: 1) o respeito pelos animais não-humanos, 2) a preservação do ambiente e 3) o cuidado com a saúde. Só as duas primeiras vias de argumentação é que são de ordem ética e, por isso, são apenas essas duas que vou analisar. Há ainda uma possível quarta via de argumentação a favor do vegetarianismo, que é o da eficiência económica, que pode também ter uma relevância ética, como procurarei demonstrar.
Neste artigo, defenderei que temos o dever ético de i) respeitar os animais não-humanos, de ii) preservar o ambiente e viver tão ecologicamente quanto possível, e de iii) ter um sistema de produção alimentar que seja o mais economicamente eficiente possível, essencialmente para corresponder às necessidades elementares de todos os humanos, e argumentarei que uma das implicações que se segue destes deveres é o vegetarianismo como obrigação ética.
i) O respeito pelos animais não-humanos e o vegetarianismo
Os interesses elementares dos animais não-humanos e o seu estatuto moral
Entende-se por ser senciente todo o ser que tenha a senciência como uma das suas características, ou seja, a capacidade de experienciar o sofrimento (seja a nível físico, seja a nível psíquico). Só os animais (embora nem todos) podem ser sencientes, na medida em que, tanto quanto se sabe, são os únicos seres vivos dotados de um sistema nervoso capaz de permitir a experiência do sofrimento. Por outro lado, a senciência pressupõe a consciência, num grau mais ou menos avançado, pelo que, quando falamos em seres sencientes, estamos também a falar em seres conscientes (e, eventualmente, em seres auto-conscientes). É aos animais que são seres sencientes – e, portanto, conscientes – que me refiro neste artigo, sobretudo nesta parte.
Todos admitimos que qualquer experiência dolorosa é um mal para qualquer ser que tenha capacidade de a ter (apesar da dor poder ser indirectamente um bem, uma vez que é um mecanismo biológico que serve para que os animais possam reagir e fugir a perigos e ameaças). Do mesmo modo, admitimos também que qualquer ser que tem essa capacidade de experienciar o sofrimento, ou seja, que é um ser senciente, tem um interesse evidente e directo em não ter experiências dolorosas. Uma das razões mais fortes pelas quais admitimos estes dois factos sem precisar de os discutir é porque nós mesmos sabemos que somos capazes de experienciar o sofrimento e sabemos também que não temos interesse absolutamente nenhum em experienciá-lo, muito pelo contrário.
Mas os seres sencientes não têm apenas o interesse em não sofrer. Têm, mais concretamente, o interesse no seu bem-estar físico e psíquico (independentemente do grau de consciência e auto-consciência que possam ter), que compreende, obviamente, o interesse em não sofrer danos físicos e/ou psíquicos. Do interesse que um ser senciente tem no seu bem-estar físico e psíquico decorre um segundo interesse que é o interesse em não ser aprisionado, ou, melhor dizendo, o interesse na sua liberdade física, uma vez que o aprisionamento é fonte de grande pressão psicológica e, por consequência, angústia e sofrimento psíquico. Podemos, então, estabelecer desde já que todo o ser senciente tem dois interesses elementares: o interesse no seu bem-estar (ou seja, o interesse em não sofrer, nem a nível físico nem psíquico) e o interesse na sua liberdade física (ou seja, o interesse em não ser aprisionado).
Mas há ainda um terceiro interesse que alguns seres sencientes (os que têm graus de consciência e auto-consciência mais avançados) têm seguramente e que outros seres sencientes terão também provavelmente, embora não seja tão seguro afirmar isso destes últimos. Falo do interesse em não ser morto ou, mais concretamente, o interesse na preservação da sua vida.
É seguro afirmar que têm interesse em não ser mortos pelo menos os seres que têm vidas conscientes e auto-conscientes mais complexas, como é o caso de membros de espécies de animais como os grandes primatas (entre os quais se incluem os gorilas, orangotangos, chimpanzés, bonobos e humanos) e os cetáceos. Isto porque estes seres têm uma série de capacidades mentais e intelectuais de tal modo desenvolvidas, que conseguem pensar em si mesmos como entidades distintas dos outros, com uma existência que se prolonga durante um determinado período de tempo (entre outras capacidades das quais são dotados). Devido a estas capacidades das quais resultam a capacidade de antecipação da morte como uma possibilidade e o interesse que manifestam em evitar a morte (para além de outros indícios, mais ou menos claros, que estes seres nos dão desse interesse que têm), é, como dizia, seguro estabelecer que estes animais têm este terceiro interesse, nomeadamente o interesse na preservação da sua vida.
É menos seguro afirmar que outros animais cujas vidas conscientes sejam menos complexas e que não sejam sequer auto-conscientes têm um interesse em não ser mortos, pois não terão as capacidades mentais e intelectuais necessárias para que possam aperceber-se de forma consciente do que é a morte, de que estão sujeitos a ela e, em face disso, quererem evitá-la. Ainda assim, também não é seguro afirmar que não têm este interesse, dado que, se por um lado não temos dados científicos que nos dêem certezas de que estes animais têm as capacidades necessárias para ter esse interesse, por outro lado também não temos dados científicos que nos dêem certezas de que não têm essas capacidades (lembremo-nos que só muito recentemente é que essas capacidades foram descobertas em animais sobre os quais sempre se pensou que não eram dotados delas).
Por precaução, é então mais prudente e seguro tratarmos estes animais como seres potencialmente ou possivelmente interessados em não ser mortos. Por outro lado, tenham estes animais um grau de consciência suficientemente avançado para terem um interesse consciente em continuarem vivos ou não, é pelo menos certo que, pelo conjunto de experiências felizes e prazerosas que podem ter durante as suas vidas, e pelo modo como evidentemente desfrutam destas experiências tendo um interesse claro nisso, nomeadamente nas suas relações sociais e afectivas, a preservação da sua vida é um bem na medida em que lhes permite continuar a ter uma série de experiências felizes. Este facto, conjugado com o referido anteriormente, dá-nos elementos seguros para estabelecer então que os animais que são sencientes, para além do interesse que têm no seu bem-estar e na sua liberdade física, têm também interesse em continuar vivos.
Admitimos estes dados que temos estabelecidos até aqui como factualmente correctos, sem que nos suscitem discussão. Mas, se reflectirmos moralmente sobre estes factos, concluímos que têm sérias implicações éticas das quais normalmente não nos apercebemos. Vejamos.
Se um ser tem interesses, como já vimos que é o caso dos seres sencientes, nomeadamente o interesse no seu bem-estar, na sua liberdade física e na preservação e continuação da sua vida, e se, como também temos que admitir, estes interesses são moralmente relevantes, daí segue-se que esse ser é merecedor de respeito, pelo que há formas de o tratar que são moralmente aceitáveis, recomendáveis ou mesmo obrigatórias, enquanto há outras formas de o tratar que são moralmente inaceitáveis. Portanto, todo o ser que tenha interesses moralmente relevantes tem ele próprio uma importância moral, ou, para ser mais preciso, um estatuto moral, do qual decorrem determinadas obrigações éticas que passamos a ter para com esse ser.
Segundo este raciocínio, as obrigações éticas mais elementares que temos para com um ser senciente é respeitá-lo, atribuindo uma consideração ética séria e justa a todos os seus interesses que sejam moralmente relevantes e portanto dignos dessa consideração. E os três interesses elementares (comuns a todos os seres sencientes) que até aqui foram estabelecidos entram directamente nesta esfera de consideração moral que estamos obrigados a observar. Logo, temos que considerar seriamente do ponto de vista moral o interesse que todos os seres sencientes têm no seu bem-estar, na sua liberdade física e na preservação e continuação da sua vida.
O fim do especismo como consequência do fim do racismo e do sexismo
Ao longo da história da humanidade, os referidos interesses elementares que todos os seres sencientes partilham não foram respeitados em variadas ocasiões. Em circunstâncias muito específicas, como foram os casos da escravatura e da negação dos direitos das mulheres, em que animais humanos foram considerados por outros animais humanos seres de importância moral menor (ou sem importância moral sequer), os primeiros foram discriminados negativamente pelos segundos com base no critério arbitrário da raça e do sexo como fonte de superioridade e inferioridade moral a partir da qual se desenharam as fronteiras de consideração ética.
Durante muito tempo, o racismo e o sexismo foram preconceitos perfeitamente aceitáveis para estabelecer como é que um determinado ser poderia ou deveria ser tratado. Hoje, porém, embora isto ainda aconteça mas em muito menor escala, quando se convenciona o racismo e o sexismo como atitudes inaceitáveis, há ainda uma forma de discriminação tão arbitrária, injusta e intolerável quanto o racismo e o sexismo – o especismo e o suposto critério moral da espécie.
Do mesmo modo que os racistas atribuem uma maior importância moral aos membros da sua raça simplesmente por pertencerem à sua raça, e do mesmo modo que os sexistas atribuem uma importância moral aos membros do seu sexo simplesmente por pertencerem ao seu sexo, os especistas atribuem uma maior importância moral aos membros da sua espécie simplesmente por pertencerem à sua espécie. A única diferença é que, enquanto as vítimas do racismo e do sexismo foram (e, infelizmente, ainda continuam a ser) animais humanos, já as vítimas do especismo foram (e, infelizmente, ainda continuam a ser) animais não-humanos.
Actualmente, nós, humanos, continuamos a explorar incontáveis milhões de não-humanos para os mais diversos fins, designadamente para fins aparentemente mais compreensíveis, como a alimentação, o vestuário e a experimentação científica, e para fins evidentemente nada compreensíveis, como o entretenimento e a decoração, entre outros. E, segundo a linha de argumentação que tenho estado a defender, isto é tão aceitável do ponto de vista moral como foram e são o racismo e o sexismo e todas as atrocidades que foram e são supostamente legitimadas por estes preconceitos. Assim, se rejeitamos o racismo, o sexismo e todas as formas de discriminação arbitrária que se baseiem em critérios morais errados e inválidos, temos que rejeitar o especismo também, porque enferma do mesmo mal.
Por outro lado, segundo a mesma linha de argumentação, porque todos os seres sencientes têm interesses morais elementares e porque temos o dever de lhes atribuir uma consideração ética séria e justa, independentemente da raça, sexo ou espécie a que pertençam, reforça-se a rejeição do especismo e das actividades a que dá origem, impondo-se a obrigação ética de respeitar os animais não-humanos, justamente como se impõe a obrigação ética de respeitar os seres que são da nossa espécie, animais humanos, atribuindo uma consideração igual aos interesses de uns e de outros que sejam moralmente comparáveis.
O vegetarianismo como obrigação ética imposta pelo estatuto moral dos não-humanos
Chegados a este ponto, a conclusão que pretendo apresentar já está anunciada. É que é absolutamente incompatível com o estatuto moral dos animais não-humanos continuar a comê-los, pelo que se impõe o vegetarianismo como obrigação ética.
Esta é a conclusão a que se chega, desde logo, porque os animais não-humanos usados na indústria alimentar sofrem todos os tipos de maus tratos, mesmo quando todas as regras daquilo a que comummente se chama bem-estar animal são cumpridas. Aqui, o seu primeiro interesse elementar – o interesse no seu bem-estar (ou em não sofrer) – está a ser violado. Como se isso não bastasse, os não-humanos usados na indústria alimentar passam uma vida inteira aprisionados, o que lhes causa uma forte pressão psicológica à qual estão sujeitos, sendo isso fonte de sofrimento psíquico. Aqui, o seu primeiro interesse elementar, que referi anteriormente, está a ser violado, bem como o seu segundo interesse elementar que decorre do primeiro – o interesse na sua liberdade física (ou em não serem aprisionados). Poder-se-ia dizer, contudo, que seria possível criar animais e alimentá-los em liberdade, da forma mais natural possível, sem lhes infligir sofrimento, nem mesmo na morte (ou, pelo menos, reduzindo substancialmente o sofrimento a que são submetidos). Mas, mesmo que o primeiro e o segundo interesse elementar dos não-humanos fossem, assim, respeitados, o terceiro – o interesse na preservação e continuação das suas vidas (ou em não serem mortos) – continuaria a não ser respeitado. Para além do mais, se não estamos dispostos a aceitar que se criassem humanos para serem comidos, mesmo que não sofressem nada, porque poderemos aceitar que isso seja feito com os não-humanos? Só se poderá defender isso com base no preconceito especista, o que, como já vimos, não é aceitável.
Sobre o vegetarianismo como obrigação ética, no que se refere ao que se segue do estatuto moral dos animais não-humanos e do respeito que lhes devemos, quero ainda dizer que temos o dever de adoptar uma dieta integralmente vegetariana, sem o consumo de qualquer alimento de origem animal, uma vez que a produção de ovos e de leite implica também uma violação dos interesses elementares dos animais. Seria escusado dizer, mas não quero deixar de o referir, que como implicação destes princípios deve também ser recusado o consumo de qualquer produto que tenha sido produzido ou conseguido através da violação dos interesses elementares dos animais, nomeadamente de peles, lãs e sedas, bem como de produtos testados em animais. A este tipo de vegetarianismo ético chama-se veganismo e radica justamente na rejeição de todo o tipo de produtos de origem animal ou que tenham sido conseguidos através da exploração abusiva e violenta de não-humanos.
O vegetarianismo e a regra de ouro da ética
Não quero também deixar de apelar à regra de ouro da ética como argumento a favor do vegetarianismo. Se estivermos a reflectir sobre o vegetarianismo para decidir se deveremos ou não adoptar uma dieta integralmente vegetariana, devemos colocar-nos a seguinte questão: de um ponto de vista actual (de posse de todas as informações relevantes para a situação e hipótese em questão), será que, se estivéssemos no lugar dos animais não-humanos que são criados e mortos para serem comidos, estaríamos dispostos a que nos acontecesse o mesmo que lhes acontece? Vejamos um exemplo.
Se de repente o nosso planeta fosse invadido por extraterrestres com faculdades mentais e intelectuais mais desenvolvidas do que as nossas, com capacidade para escravizar toda a nossa espécie e que apreciassem especialmente a nossa carne, passando a tratar-nos de modo exactamente igual ao que actualmente fazemos com os não-humanos, estaríamos dispostos ou aceitaríamos ser tratados desse modo, apenas por não sermos tão inteligentes ou auto-conscientes quanto esses extra-terrestres, ou, pior ainda, apenas por não pertencermos à sua espécie ou classe? Parece-me seguro admitir que a resposta de todos nós a esta questão será uma recusa categórica dessa hipótese. Ora, assim sendo, temos o dever de não tratar os animais não-humanos do modo que não admitiríamos ser tratados. Se não o fizermos, seremos inconsistentes nas nossas posições e não teremos autoridade moral para rejeitar qualquer forma de discriminação, nomeadamente quando formos nós mesmos discriminados.
É difícil cumprir o dever ético de se ser vegetariano?
Até aqui tenho defendido que temos o dever ético de nos tornarmos integralmente vegetarianos. Mas alguém poderá objectar que o vegetarianismo é uma opção dificilmente praticável, o que anularia a obrigatoriedade ética de aderirmos ao vegetarianismo. É, então, importante dizer, a propósito do vegetarianismo como cumprimento da obrigação moral de respeitar os animais não-humanos, que esta opção ética é tão razoável quanto isto: a rejeição do consumo de produtos de origem animal não implica qualquer tipo de sacrifício digno desse nome, muito menos que seja moralmente relevante. É perfeitamente possível adoptar uma dieta integralmente vegetariana, bastando para isso que, quando estivermos a fazer compras, optemos pelos vegetais em vez dos produtos de origem animal, ou, quando quisermos ir a um restaurante, optemos por um restaurante vegetariano ou, indo a um restaurante normal, optemos por uma refeição integralmente vegetariana. Quanto ao calçado e ao vestuário, as alternativas de materiais sintéticos ou de materiais orgânicos de origem exclusivamente vegetal são evidentemente muitas, como são os cosméticos, os produtos de higiene pessoal e os produtos de higiene doméstica que não são testados cruelmente em animais. A única barreira que podemos encontrar para nos tornarmos vegetarianos é aquela que nós mesmos permitirmos que se estabeleça. E como permiti-lo justificadamente?
O vegetarianismo e o argumento da precaução
Por último, um novo recurso ao argumento da precaução, mas aqui já formulado em termos exclusivamente éticos. Mesmo para aquelas pessoas que não se tenham convencido, por estes argumentos, da certeza de que os animais não-humanos são realmente dignos de consideração moral e de respeito, deixo a seguinte sugestão: na dúvida sobre se os animais não-humanos são ou não moralmente dignos de consideração moral, devemos optar pela opção mais cautelosa (o vegetarianismo como obrigação ética), se o pudermos fazer sem sacrificarmos nada de importância moral comparável. Assim, por precaução, estaremos livres de cometer um acto imoral, mesmo que não estejamos certos de que o seja realmente. Ora, como nada de importância moral comparável será sacrificado se aceitarmos e adoptarmos o vegetarianismo como obrigação ética, deve ser essa a nossa opção.
ii) A ecologia e o vegetarianismo
As responsabilidades morais dos humanos relativas ao equilíbrio ecológico do planeta
O equilíbrio ecológico do planeta é uma condição sem a qual a sobrevivência de todos os animais (humanos e não-humanos) não é possível. Ora, se as nossas decisões e acções têm uma influência directa no equilíbrio ecológico do planeta, então temos responsabilidades directas na sua preservação. Estas responsabilidades assumem uma relevância moral especial se considerarmos que delas depende a sobrevivência de todos os animais. Temos, portanto, o dever ético de assumir essas responsabilidades e de preservar o equilíbrio ecológico, garantindo a sobrevivência de todos nós e de todos os outros animais.
Esta é, por um lado, uma questão de dever, e, por outro lado, uma questão de interesse directo da nossa parte, pois a nossa própria sobrevivência está em causa. Há, então, razões duplamente significativas para que, na qualidade de agentes morais, assumamos as ditas responsabilidades e cumpramos o dever ético de preservar o equilíbrio ecológico do planeta. E, como argumentarei, uma das implicações deste dever é, uma vez mais, o vegetarianismo como obrigação ética.
O vegetarianismo e o equilíbrio ecológico do planeta
A pecuária é uma das grandes fontes de poluição (sobretudo a pecuária industrial, embora a biológica também o seja) e também uma das principais actividades responsáveis pela destruição de ecossistemas da maior importância, o que acontece para a criação de gado. Como actividades pecuárias, considera-se a criação e abate de animais com fins alimentares, bem como a criação de animais para exploração dos seus produtos, como é o caso dos ovos e do leite. Todo o processo de preparação da carne, por exemplo, envolve o emprego de uma quantidade considerável de recursos tão importantes como a água e a electricidade, que não são gastos na produção agrícola de vegetais.
A indústria piscatória, com os seus navios pesqueiros, é também causadora de poluição nos rios e, sobretudo, nos oceanos, para além de ser uma das principais responsáveis pela destruição dos ecossistemas marinhos devido à quantidade de peixes e animais marinhos que captura, nomeadamente aqueles que não são supostamente pretendidos (como é o caso das tartarugas, golfinhos, focas, leões marinhos e outros animais que são apanhados “acidentalmente” nas redes dos navios pesqueiros, acabando frequentemente por morrer, ficando pelo menos gravemente feridos).
Independentemente da flagrante violação dos interesses elementares dos animais não-humanos (referidos anteriormente) que estas actividades evidentemente implicam, a leitura destes dois últimos parágrafos permite-nos concluir facilmente que a exploração de animais com fins alimentares tem um impacto ecológico muito negativo, que não é possível impedir, mesmo que se quisesse reduzi-lo. De facto, é um dos principais factores que prejudica o equilíbrio ecológico do planeta. Ora, se assim é e se, como vimos, temos o dever ético de preservar o equilíbrio ecológico do planeta, então devemos cancelar, também por motivos ecológicos, as actividades ligadas à exploração de animais com fins alimentares.
Se é nosso dever eliminar ou reduzir o impacto ecológico negativo que as nossas actividades têm, nomeadamente no equilíbrio ecológico do planeta (sobretudo se o pudermos fazer sem sacrificar algo de importância moral comparável, o que é o caso), e se a exploração de animais com fins alimentares é uma das nossas actividades que tem um impacto ecológico negativo, então devemos acabar com a exploração de animais para fins alimentares.
Daqui segue-se que, se o dever de adoptar uma dieta integralmente vegetariana se impõe pelo respeito que devemos aos animais não-humanos, impõe-se também quer pela necessidade, quer pela obrigação que temos de preservar o equilíbrio ecológico. Surge-nos, então, uma vez mais, o vegetarianismo como obrigação ética.
Por outro lado, a indústria das peles, nomeadamente a indústria dos curtumes, é também responsável por uma quantidade enorme de poluição, mesmo sem ser preciso voltar a referir a poluição que a criação de animais para fins alimentares – que são criados também para a produção de peles – implica. Logo, seguindo o princípio defendido ao longo deste artigo, designadamente a sua aplicação aos problemas ecológicos, devemos também pôr fim à indústria das peles, recusando o uso de peles, não só porque isso é incompatível com o estatuto moral dos animais a que essas peles pertencem, mas também pelos motivos éticos que se prendem com a ecologia.
O interesse estético da natureza e o dever ético de a preservar
Há ainda um outro dever ético relativo à ecologia e ao vegetarianismo como obrigação ética. É que, do mesmo modo que actualmente gostamos de contemplar a natureza podendo retirar desta contemplação um prazer estético, para além de podermos passar momentos muito agradáveis quando desfrutamos equilibradamente das belezas da natureza, também as gerações futuras quererão poder ter também este prazer e estes momentos agradáveis no contacto com a natureza. Ora, se assim é, do mesmo modo que temos uma responsabilidade moral para com as gerações futuras sendo nosso dever legar-lhes um mundo ecologicamente equilibrado, pois precisarão tanto dele como nós precisamos actualmente, temos também uma responsabilidade moral para com essas mesmas gerações no sentido de não destruir hoje aquilo que com certeza essas gerações valorizarão, apreciarão e de que necessitarão amanhã. Se a adopção do vegetarianismo é um meio para cumprir esta responsabilidade moral, a obrigatoriedade ética do vegetarianismo sai mais uma vez reforçada.
Como já referi anteriormente, todas estas mudanças podem ser feitas sem que se sacrifique algo de importância moral comparável e de uma forma perfeitamente praticável. Se podemos e devemos avançar para estas mudanças, o que nos poderá então razoavelmente impedir de o fazer?
iii) A produção alimentar, a eficiência económica e o vegetarianismo
Actualmente, grande parte da população mundial continua a enfrentar sérios problemas de pobreza, contando-se entre estes o principal – a fome. Isto passa-se com humanos, membros da nossa espécie, em relação aos quais conseguimos continuar a manter-nos intoleravelmente indiferentes (o que, por muito lamentável que seja, não nos deve espantar, se atendermos à indiferença que dedicamos aos outros animais). Enquanto isso, nos países mais desenvolvidos, na chamada sociedade da abundância, entre variados luxos e futilidades, continuamos a ter um sistema de produção alimentar que é absolutamente ineficiente do ponto de vista económico, para além de que os alimentos que resultam desta produção são pouco saudáveis e nada equilibrados.
Sabe-se hoje que a quantidade de vegetais que é utilizada na alimentação dos animais não-humanos explorados com fins alimentares seria mais do que suficiente para alimentar todos os humanos que existem actualmente em todo o mundo – quer os que têm hoje comida no prato, quer aqueles que nunca comeram num prato e que não sabem o que é uma refeição.
Poderíamos optar por um sistema de produção alimentar baseado exclusivamente no cultivo de vegetais, o que teria vantagens múltiplas, como 1) pôr em prática o respeito que devemos aos animais não-humanos, deixando de os comer, 2) reduzir significativamente o impacto ecológico negativo que a exploração de animais com fins alimentares tem, e 3) proporcionar uma alimentação saudável, completa e equilibrada ao total do efectivo da população mundial (segundo os dados disponíveis, seria até possível alimentar muito mais do que os cerca de seis biliões de humanos que existem actualmente). Em vez disso, insistimos em manter um sistema que assenta na exploração cruel de animais, que é absolutamente anti-ecológico, e que é excessivamente dispendioso e desperdiçador, uma vez que não só esgota muitos recursos naturais e económicos, como também produz alimentos (de origem animal) em muito menor quantidade do que aqueles que consome (de origem vegetal), produtos estes que, quer do ponto de vista quantitativo, quer do ponto de vista financeiro, não são acessíveis à totalidade da população mundial.
Se considerarmos que temos deveres éticos para com os outros humanos (tanto quanto os temos para com os não-humanos), não estamos dispensados da responsabilidade de lhes garantir condições de vida pelo menos tão boas quanto as que nós mesmos temos e exigimos ter. Ora, um dos factores cruciais para a melhoria das condições de vida de quem hoje morre à fome é, evidentemente, ter à sua disposição alimentos que lhe permitam deixar de ter fome. E já vimos que a produção de alimentos de origem animal não oferece respostas para este problema; pelo contrário, acentua-o. Mais ainda, se o fim da produção de alimentos de origem animal e a consequente produção de alimentos de origem exclusivamente vegetal são um meio eficaz para responder ao problema da fome, então temos o dever ético de implementar esta mudança imediatamente. Volta a reforçar-se o vegetarianismo como obrigação ética. E reforça-se, recapitulando, pelo respeito que devemos aos animais não-humanos, pelo dever que temos de preservar o equilíbrio ecológico, e pelo dever que temos de ter um sistema de produção alimentar economicamente eficiente como meio para alimentar adequadamente todo o efectivo da população mundial.
Então, ética, ecológica e economicamente, o sistema de produção alimentar que assenta na exploração de animais com fins alimentares é um erro. E é um erro que deve ter um fim imediato, pois temos também razões que se prendem também com a defesa dos membros da nossa espécie para nos tornarmos vegetarianos, não apenas com o respeito pelos membros de outras espécies. E isto tem que ser aceite até pelos especistas (embora estes tenham sérios problemas em manter o seu especismo plausivelmente). Posto isto, como poderemos continuar a viver sem nos tornarmos vegetarianos?
Conclusão
Em suma, estes são alguns dos argumentos éticos segundo os quais nos devemos tornar integralmente vegetarianos, sendo esta, como defendi, uma implicação dos princípios morais mais importantes que temos, que reconhecemos e que queremos ver universalmente aplicados. Mais poderia ser dito, mas ficam lançadas as bases éticas principais a partir das quais outras conclusões podem ser derivadas no mesmo sentido do que aqui defendi.
Referências:
Singer, Peter. 1975. Animal Liberation. Londres: Pimlico, 1995 (2nd Edition).
Singer, Peter. 1993. Ética Prática. Trad. Álvaro A. Fernandes. Lisboa: Gradiva, 2000.
Rachels, James. 1990. Created from Animals: The Moral Implications of Darwinism. Oxford: Oxford University Press, 1999.
Murcho, Desidério. "Vegetarianismo Ético Minimalista". Crítica, 2002.
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SEDA - Sociedade Ética de Defesa dos Animais | http://seda.no.sapo.pt | seda_geral@hotmail.com
Por Miguel Moutinho
Departamento de Filosofia da Universidade de Lisboa
Centro de Ética Aplicada da Sociedade Portuguesa de Filosofia
Sociedade Ética de Defesa dos Animais | ANIMAL
Centro de Estudos de Direito dos Animais
Introdução
Fundamentalmente, há três possíveis vias de argumentação a favor do vegetarianismo: 1) o respeito pelos animais não-humanos, 2) a preservação do ambiente e 3) o cuidado com a saúde. Só as duas primeiras vias de argumentação é que são de ordem ética e, por isso, são apenas essas duas que vou analisar. Há ainda uma possível quarta via de argumentação a favor do vegetarianismo, que é o da eficiência económica, que pode também ter uma relevância ética, como procurarei demonstrar.
Neste artigo, defenderei que temos o dever ético de i) respeitar os animais não-humanos, de ii) preservar o ambiente e viver tão ecologicamente quanto possível, e de iii) ter um sistema de produção alimentar que seja o mais economicamente eficiente possível, essencialmente para corresponder às necessidades elementares de todos os humanos, e argumentarei que uma das implicações que se segue destes deveres é o vegetarianismo como obrigação ética.
i) O respeito pelos animais não-humanos e o vegetarianismo
Os interesses elementares dos animais não-humanos e o seu estatuto moral
Entende-se por ser senciente todo o ser que tenha a senciência como uma das suas características, ou seja, a capacidade de experienciar o sofrimento (seja a nível físico, seja a nível psíquico). Só os animais (embora nem todos) podem ser sencientes, na medida em que, tanto quanto se sabe, são os únicos seres vivos dotados de um sistema nervoso capaz de permitir a experiência do sofrimento. Por outro lado, a senciência pressupõe a consciência, num grau mais ou menos avançado, pelo que, quando falamos em seres sencientes, estamos também a falar em seres conscientes (e, eventualmente, em seres auto-conscientes). É aos animais que são seres sencientes – e, portanto, conscientes – que me refiro neste artigo, sobretudo nesta parte.
Todos admitimos que qualquer experiência dolorosa é um mal para qualquer ser que tenha capacidade de a ter (apesar da dor poder ser indirectamente um bem, uma vez que é um mecanismo biológico que serve para que os animais possam reagir e fugir a perigos e ameaças). Do mesmo modo, admitimos também que qualquer ser que tem essa capacidade de experienciar o sofrimento, ou seja, que é um ser senciente, tem um interesse evidente e directo em não ter experiências dolorosas. Uma das razões mais fortes pelas quais admitimos estes dois factos sem precisar de os discutir é porque nós mesmos sabemos que somos capazes de experienciar o sofrimento e sabemos também que não temos interesse absolutamente nenhum em experienciá-lo, muito pelo contrário.
Mas os seres sencientes não têm apenas o interesse em não sofrer. Têm, mais concretamente, o interesse no seu bem-estar físico e psíquico (independentemente do grau de consciência e auto-consciência que possam ter), que compreende, obviamente, o interesse em não sofrer danos físicos e/ou psíquicos. Do interesse que um ser senciente tem no seu bem-estar físico e psíquico decorre um segundo interesse que é o interesse em não ser aprisionado, ou, melhor dizendo, o interesse na sua liberdade física, uma vez que o aprisionamento é fonte de grande pressão psicológica e, por consequência, angústia e sofrimento psíquico. Podemos, então, estabelecer desde já que todo o ser senciente tem dois interesses elementares: o interesse no seu bem-estar (ou seja, o interesse em não sofrer, nem a nível físico nem psíquico) e o interesse na sua liberdade física (ou seja, o interesse em não ser aprisionado).
Mas há ainda um terceiro interesse que alguns seres sencientes (os que têm graus de consciência e auto-consciência mais avançados) têm seguramente e que outros seres sencientes terão também provavelmente, embora não seja tão seguro afirmar isso destes últimos. Falo do interesse em não ser morto ou, mais concretamente, o interesse na preservação da sua vida.
É seguro afirmar que têm interesse em não ser mortos pelo menos os seres que têm vidas conscientes e auto-conscientes mais complexas, como é o caso de membros de espécies de animais como os grandes primatas (entre os quais se incluem os gorilas, orangotangos, chimpanzés, bonobos e humanos) e os cetáceos. Isto porque estes seres têm uma série de capacidades mentais e intelectuais de tal modo desenvolvidas, que conseguem pensar em si mesmos como entidades distintas dos outros, com uma existência que se prolonga durante um determinado período de tempo (entre outras capacidades das quais são dotados). Devido a estas capacidades das quais resultam a capacidade de antecipação da morte como uma possibilidade e o interesse que manifestam em evitar a morte (para além de outros indícios, mais ou menos claros, que estes seres nos dão desse interesse que têm), é, como dizia, seguro estabelecer que estes animais têm este terceiro interesse, nomeadamente o interesse na preservação da sua vida.
É menos seguro afirmar que outros animais cujas vidas conscientes sejam menos complexas e que não sejam sequer auto-conscientes têm um interesse em não ser mortos, pois não terão as capacidades mentais e intelectuais necessárias para que possam aperceber-se de forma consciente do que é a morte, de que estão sujeitos a ela e, em face disso, quererem evitá-la. Ainda assim, também não é seguro afirmar que não têm este interesse, dado que, se por um lado não temos dados científicos que nos dêem certezas de que estes animais têm as capacidades necessárias para ter esse interesse, por outro lado também não temos dados científicos que nos dêem certezas de que não têm essas capacidades (lembremo-nos que só muito recentemente é que essas capacidades foram descobertas em animais sobre os quais sempre se pensou que não eram dotados delas).
Por precaução, é então mais prudente e seguro tratarmos estes animais como seres potencialmente ou possivelmente interessados em não ser mortos. Por outro lado, tenham estes animais um grau de consciência suficientemente avançado para terem um interesse consciente em continuarem vivos ou não, é pelo menos certo que, pelo conjunto de experiências felizes e prazerosas que podem ter durante as suas vidas, e pelo modo como evidentemente desfrutam destas experiências tendo um interesse claro nisso, nomeadamente nas suas relações sociais e afectivas, a preservação da sua vida é um bem na medida em que lhes permite continuar a ter uma série de experiências felizes. Este facto, conjugado com o referido anteriormente, dá-nos elementos seguros para estabelecer então que os animais que são sencientes, para além do interesse que têm no seu bem-estar e na sua liberdade física, têm também interesse em continuar vivos.
Admitimos estes dados que temos estabelecidos até aqui como factualmente correctos, sem que nos suscitem discussão. Mas, se reflectirmos moralmente sobre estes factos, concluímos que têm sérias implicações éticas das quais normalmente não nos apercebemos. Vejamos.
Se um ser tem interesses, como já vimos que é o caso dos seres sencientes, nomeadamente o interesse no seu bem-estar, na sua liberdade física e na preservação e continuação da sua vida, e se, como também temos que admitir, estes interesses são moralmente relevantes, daí segue-se que esse ser é merecedor de respeito, pelo que há formas de o tratar que são moralmente aceitáveis, recomendáveis ou mesmo obrigatórias, enquanto há outras formas de o tratar que são moralmente inaceitáveis. Portanto, todo o ser que tenha interesses moralmente relevantes tem ele próprio uma importância moral, ou, para ser mais preciso, um estatuto moral, do qual decorrem determinadas obrigações éticas que passamos a ter para com esse ser.
Segundo este raciocínio, as obrigações éticas mais elementares que temos para com um ser senciente é respeitá-lo, atribuindo uma consideração ética séria e justa a todos os seus interesses que sejam moralmente relevantes e portanto dignos dessa consideração. E os três interesses elementares (comuns a todos os seres sencientes) que até aqui foram estabelecidos entram directamente nesta esfera de consideração moral que estamos obrigados a observar. Logo, temos que considerar seriamente do ponto de vista moral o interesse que todos os seres sencientes têm no seu bem-estar, na sua liberdade física e na preservação e continuação da sua vida.
O fim do especismo como consequência do fim do racismo e do sexismo
Ao longo da história da humanidade, os referidos interesses elementares que todos os seres sencientes partilham não foram respeitados em variadas ocasiões. Em circunstâncias muito específicas, como foram os casos da escravatura e da negação dos direitos das mulheres, em que animais humanos foram considerados por outros animais humanos seres de importância moral menor (ou sem importância moral sequer), os primeiros foram discriminados negativamente pelos segundos com base no critério arbitrário da raça e do sexo como fonte de superioridade e inferioridade moral a partir da qual se desenharam as fronteiras de consideração ética.
Durante muito tempo, o racismo e o sexismo foram preconceitos perfeitamente aceitáveis para estabelecer como é que um determinado ser poderia ou deveria ser tratado. Hoje, porém, embora isto ainda aconteça mas em muito menor escala, quando se convenciona o racismo e o sexismo como atitudes inaceitáveis, há ainda uma forma de discriminação tão arbitrária, injusta e intolerável quanto o racismo e o sexismo – o especismo e o suposto critério moral da espécie.
Do mesmo modo que os racistas atribuem uma maior importância moral aos membros da sua raça simplesmente por pertencerem à sua raça, e do mesmo modo que os sexistas atribuem uma importância moral aos membros do seu sexo simplesmente por pertencerem ao seu sexo, os especistas atribuem uma maior importância moral aos membros da sua espécie simplesmente por pertencerem à sua espécie. A única diferença é que, enquanto as vítimas do racismo e do sexismo foram (e, infelizmente, ainda continuam a ser) animais humanos, já as vítimas do especismo foram (e, infelizmente, ainda continuam a ser) animais não-humanos.
Actualmente, nós, humanos, continuamos a explorar incontáveis milhões de não-humanos para os mais diversos fins, designadamente para fins aparentemente mais compreensíveis, como a alimentação, o vestuário e a experimentação científica, e para fins evidentemente nada compreensíveis, como o entretenimento e a decoração, entre outros. E, segundo a linha de argumentação que tenho estado a defender, isto é tão aceitável do ponto de vista moral como foram e são o racismo e o sexismo e todas as atrocidades que foram e são supostamente legitimadas por estes preconceitos. Assim, se rejeitamos o racismo, o sexismo e todas as formas de discriminação arbitrária que se baseiem em critérios morais errados e inválidos, temos que rejeitar o especismo também, porque enferma do mesmo mal.
Por outro lado, segundo a mesma linha de argumentação, porque todos os seres sencientes têm interesses morais elementares e porque temos o dever de lhes atribuir uma consideração ética séria e justa, independentemente da raça, sexo ou espécie a que pertençam, reforça-se a rejeição do especismo e das actividades a que dá origem, impondo-se a obrigação ética de respeitar os animais não-humanos, justamente como se impõe a obrigação ética de respeitar os seres que são da nossa espécie, animais humanos, atribuindo uma consideração igual aos interesses de uns e de outros que sejam moralmente comparáveis.
O vegetarianismo como obrigação ética imposta pelo estatuto moral dos não-humanos
Chegados a este ponto, a conclusão que pretendo apresentar já está anunciada. É que é absolutamente incompatível com o estatuto moral dos animais não-humanos continuar a comê-los, pelo que se impõe o vegetarianismo como obrigação ética.
Esta é a conclusão a que se chega, desde logo, porque os animais não-humanos usados na indústria alimentar sofrem todos os tipos de maus tratos, mesmo quando todas as regras daquilo a que comummente se chama bem-estar animal são cumpridas. Aqui, o seu primeiro interesse elementar – o interesse no seu bem-estar (ou em não sofrer) – está a ser violado. Como se isso não bastasse, os não-humanos usados na indústria alimentar passam uma vida inteira aprisionados, o que lhes causa uma forte pressão psicológica à qual estão sujeitos, sendo isso fonte de sofrimento psíquico. Aqui, o seu primeiro interesse elementar, que referi anteriormente, está a ser violado, bem como o seu segundo interesse elementar que decorre do primeiro – o interesse na sua liberdade física (ou em não serem aprisionados). Poder-se-ia dizer, contudo, que seria possível criar animais e alimentá-los em liberdade, da forma mais natural possível, sem lhes infligir sofrimento, nem mesmo na morte (ou, pelo menos, reduzindo substancialmente o sofrimento a que são submetidos). Mas, mesmo que o primeiro e o segundo interesse elementar dos não-humanos fossem, assim, respeitados, o terceiro – o interesse na preservação e continuação das suas vidas (ou em não serem mortos) – continuaria a não ser respeitado. Para além do mais, se não estamos dispostos a aceitar que se criassem humanos para serem comidos, mesmo que não sofressem nada, porque poderemos aceitar que isso seja feito com os não-humanos? Só se poderá defender isso com base no preconceito especista, o que, como já vimos, não é aceitável.
Sobre o vegetarianismo como obrigação ética, no que se refere ao que se segue do estatuto moral dos animais não-humanos e do respeito que lhes devemos, quero ainda dizer que temos o dever de adoptar uma dieta integralmente vegetariana, sem o consumo de qualquer alimento de origem animal, uma vez que a produção de ovos e de leite implica também uma violação dos interesses elementares dos animais. Seria escusado dizer, mas não quero deixar de o referir, que como implicação destes princípios deve também ser recusado o consumo de qualquer produto que tenha sido produzido ou conseguido através da violação dos interesses elementares dos animais, nomeadamente de peles, lãs e sedas, bem como de produtos testados em animais. A este tipo de vegetarianismo ético chama-se veganismo e radica justamente na rejeição de todo o tipo de produtos de origem animal ou que tenham sido conseguidos através da exploração abusiva e violenta de não-humanos.
O vegetarianismo e a regra de ouro da ética
Não quero também deixar de apelar à regra de ouro da ética como argumento a favor do vegetarianismo. Se estivermos a reflectir sobre o vegetarianismo para decidir se deveremos ou não adoptar uma dieta integralmente vegetariana, devemos colocar-nos a seguinte questão: de um ponto de vista actual (de posse de todas as informações relevantes para a situação e hipótese em questão), será que, se estivéssemos no lugar dos animais não-humanos que são criados e mortos para serem comidos, estaríamos dispostos a que nos acontecesse o mesmo que lhes acontece? Vejamos um exemplo.
Se de repente o nosso planeta fosse invadido por extraterrestres com faculdades mentais e intelectuais mais desenvolvidas do que as nossas, com capacidade para escravizar toda a nossa espécie e que apreciassem especialmente a nossa carne, passando a tratar-nos de modo exactamente igual ao que actualmente fazemos com os não-humanos, estaríamos dispostos ou aceitaríamos ser tratados desse modo, apenas por não sermos tão inteligentes ou auto-conscientes quanto esses extra-terrestres, ou, pior ainda, apenas por não pertencermos à sua espécie ou classe? Parece-me seguro admitir que a resposta de todos nós a esta questão será uma recusa categórica dessa hipótese. Ora, assim sendo, temos o dever de não tratar os animais não-humanos do modo que não admitiríamos ser tratados. Se não o fizermos, seremos inconsistentes nas nossas posições e não teremos autoridade moral para rejeitar qualquer forma de discriminação, nomeadamente quando formos nós mesmos discriminados.
É difícil cumprir o dever ético de se ser vegetariano?
Até aqui tenho defendido que temos o dever ético de nos tornarmos integralmente vegetarianos. Mas alguém poderá objectar que o vegetarianismo é uma opção dificilmente praticável, o que anularia a obrigatoriedade ética de aderirmos ao vegetarianismo. É, então, importante dizer, a propósito do vegetarianismo como cumprimento da obrigação moral de respeitar os animais não-humanos, que esta opção ética é tão razoável quanto isto: a rejeição do consumo de produtos de origem animal não implica qualquer tipo de sacrifício digno desse nome, muito menos que seja moralmente relevante. É perfeitamente possível adoptar uma dieta integralmente vegetariana, bastando para isso que, quando estivermos a fazer compras, optemos pelos vegetais em vez dos produtos de origem animal, ou, quando quisermos ir a um restaurante, optemos por um restaurante vegetariano ou, indo a um restaurante normal, optemos por uma refeição integralmente vegetariana. Quanto ao calçado e ao vestuário, as alternativas de materiais sintéticos ou de materiais orgânicos de origem exclusivamente vegetal são evidentemente muitas, como são os cosméticos, os produtos de higiene pessoal e os produtos de higiene doméstica que não são testados cruelmente em animais. A única barreira que podemos encontrar para nos tornarmos vegetarianos é aquela que nós mesmos permitirmos que se estabeleça. E como permiti-lo justificadamente?
O vegetarianismo e o argumento da precaução
Por último, um novo recurso ao argumento da precaução, mas aqui já formulado em termos exclusivamente éticos. Mesmo para aquelas pessoas que não se tenham convencido, por estes argumentos, da certeza de que os animais não-humanos são realmente dignos de consideração moral e de respeito, deixo a seguinte sugestão: na dúvida sobre se os animais não-humanos são ou não moralmente dignos de consideração moral, devemos optar pela opção mais cautelosa (o vegetarianismo como obrigação ética), se o pudermos fazer sem sacrificarmos nada de importância moral comparável. Assim, por precaução, estaremos livres de cometer um acto imoral, mesmo que não estejamos certos de que o seja realmente. Ora, como nada de importância moral comparável será sacrificado se aceitarmos e adoptarmos o vegetarianismo como obrigação ética, deve ser essa a nossa opção.
ii) A ecologia e o vegetarianismo
As responsabilidades morais dos humanos relativas ao equilíbrio ecológico do planeta
O equilíbrio ecológico do planeta é uma condição sem a qual a sobrevivência de todos os animais (humanos e não-humanos) não é possível. Ora, se as nossas decisões e acções têm uma influência directa no equilíbrio ecológico do planeta, então temos responsabilidades directas na sua preservação. Estas responsabilidades assumem uma relevância moral especial se considerarmos que delas depende a sobrevivência de todos os animais. Temos, portanto, o dever ético de assumir essas responsabilidades e de preservar o equilíbrio ecológico, garantindo a sobrevivência de todos nós e de todos os outros animais.
Esta é, por um lado, uma questão de dever, e, por outro lado, uma questão de interesse directo da nossa parte, pois a nossa própria sobrevivência está em causa. Há, então, razões duplamente significativas para que, na qualidade de agentes morais, assumamos as ditas responsabilidades e cumpramos o dever ético de preservar o equilíbrio ecológico do planeta. E, como argumentarei, uma das implicações deste dever é, uma vez mais, o vegetarianismo como obrigação ética.
O vegetarianismo e o equilíbrio ecológico do planeta
A pecuária é uma das grandes fontes de poluição (sobretudo a pecuária industrial, embora a biológica também o seja) e também uma das principais actividades responsáveis pela destruição de ecossistemas da maior importância, o que acontece para a criação de gado. Como actividades pecuárias, considera-se a criação e abate de animais com fins alimentares, bem como a criação de animais para exploração dos seus produtos, como é o caso dos ovos e do leite. Todo o processo de preparação da carne, por exemplo, envolve o emprego de uma quantidade considerável de recursos tão importantes como a água e a electricidade, que não são gastos na produção agrícola de vegetais.
A indústria piscatória, com os seus navios pesqueiros, é também causadora de poluição nos rios e, sobretudo, nos oceanos, para além de ser uma das principais responsáveis pela destruição dos ecossistemas marinhos devido à quantidade de peixes e animais marinhos que captura, nomeadamente aqueles que não são supostamente pretendidos (como é o caso das tartarugas, golfinhos, focas, leões marinhos e outros animais que são apanhados “acidentalmente” nas redes dos navios pesqueiros, acabando frequentemente por morrer, ficando pelo menos gravemente feridos).
Independentemente da flagrante violação dos interesses elementares dos animais não-humanos (referidos anteriormente) que estas actividades evidentemente implicam, a leitura destes dois últimos parágrafos permite-nos concluir facilmente que a exploração de animais com fins alimentares tem um impacto ecológico muito negativo, que não é possível impedir, mesmo que se quisesse reduzi-lo. De facto, é um dos principais factores que prejudica o equilíbrio ecológico do planeta. Ora, se assim é e se, como vimos, temos o dever ético de preservar o equilíbrio ecológico do planeta, então devemos cancelar, também por motivos ecológicos, as actividades ligadas à exploração de animais com fins alimentares.
Se é nosso dever eliminar ou reduzir o impacto ecológico negativo que as nossas actividades têm, nomeadamente no equilíbrio ecológico do planeta (sobretudo se o pudermos fazer sem sacrificar algo de importância moral comparável, o que é o caso), e se a exploração de animais com fins alimentares é uma das nossas actividades que tem um impacto ecológico negativo, então devemos acabar com a exploração de animais para fins alimentares.
Daqui segue-se que, se o dever de adoptar uma dieta integralmente vegetariana se impõe pelo respeito que devemos aos animais não-humanos, impõe-se também quer pela necessidade, quer pela obrigação que temos de preservar o equilíbrio ecológico. Surge-nos, então, uma vez mais, o vegetarianismo como obrigação ética.
Por outro lado, a indústria das peles, nomeadamente a indústria dos curtumes, é também responsável por uma quantidade enorme de poluição, mesmo sem ser preciso voltar a referir a poluição que a criação de animais para fins alimentares – que são criados também para a produção de peles – implica. Logo, seguindo o princípio defendido ao longo deste artigo, designadamente a sua aplicação aos problemas ecológicos, devemos também pôr fim à indústria das peles, recusando o uso de peles, não só porque isso é incompatível com o estatuto moral dos animais a que essas peles pertencem, mas também pelos motivos éticos que se prendem com a ecologia.
O interesse estético da natureza e o dever ético de a preservar
Há ainda um outro dever ético relativo à ecologia e ao vegetarianismo como obrigação ética. É que, do mesmo modo que actualmente gostamos de contemplar a natureza podendo retirar desta contemplação um prazer estético, para além de podermos passar momentos muito agradáveis quando desfrutamos equilibradamente das belezas da natureza, também as gerações futuras quererão poder ter também este prazer e estes momentos agradáveis no contacto com a natureza. Ora, se assim é, do mesmo modo que temos uma responsabilidade moral para com as gerações futuras sendo nosso dever legar-lhes um mundo ecologicamente equilibrado, pois precisarão tanto dele como nós precisamos actualmente, temos também uma responsabilidade moral para com essas mesmas gerações no sentido de não destruir hoje aquilo que com certeza essas gerações valorizarão, apreciarão e de que necessitarão amanhã. Se a adopção do vegetarianismo é um meio para cumprir esta responsabilidade moral, a obrigatoriedade ética do vegetarianismo sai mais uma vez reforçada.
Como já referi anteriormente, todas estas mudanças podem ser feitas sem que se sacrifique algo de importância moral comparável e de uma forma perfeitamente praticável. Se podemos e devemos avançar para estas mudanças, o que nos poderá então razoavelmente impedir de o fazer?
iii) A produção alimentar, a eficiência económica e o vegetarianismo
Actualmente, grande parte da população mundial continua a enfrentar sérios problemas de pobreza, contando-se entre estes o principal – a fome. Isto passa-se com humanos, membros da nossa espécie, em relação aos quais conseguimos continuar a manter-nos intoleravelmente indiferentes (o que, por muito lamentável que seja, não nos deve espantar, se atendermos à indiferença que dedicamos aos outros animais). Enquanto isso, nos países mais desenvolvidos, na chamada sociedade da abundância, entre variados luxos e futilidades, continuamos a ter um sistema de produção alimentar que é absolutamente ineficiente do ponto de vista económico, para além de que os alimentos que resultam desta produção são pouco saudáveis e nada equilibrados.
Sabe-se hoje que a quantidade de vegetais que é utilizada na alimentação dos animais não-humanos explorados com fins alimentares seria mais do que suficiente para alimentar todos os humanos que existem actualmente em todo o mundo – quer os que têm hoje comida no prato, quer aqueles que nunca comeram num prato e que não sabem o que é uma refeição.
Poderíamos optar por um sistema de produção alimentar baseado exclusivamente no cultivo de vegetais, o que teria vantagens múltiplas, como 1) pôr em prática o respeito que devemos aos animais não-humanos, deixando de os comer, 2) reduzir significativamente o impacto ecológico negativo que a exploração de animais com fins alimentares tem, e 3) proporcionar uma alimentação saudável, completa e equilibrada ao total do efectivo da população mundial (segundo os dados disponíveis, seria até possível alimentar muito mais do que os cerca de seis biliões de humanos que existem actualmente). Em vez disso, insistimos em manter um sistema que assenta na exploração cruel de animais, que é absolutamente anti-ecológico, e que é excessivamente dispendioso e desperdiçador, uma vez que não só esgota muitos recursos naturais e económicos, como também produz alimentos (de origem animal) em muito menor quantidade do que aqueles que consome (de origem vegetal), produtos estes que, quer do ponto de vista quantitativo, quer do ponto de vista financeiro, não são acessíveis à totalidade da população mundial.
Se considerarmos que temos deveres éticos para com os outros humanos (tanto quanto os temos para com os não-humanos), não estamos dispensados da responsabilidade de lhes garantir condições de vida pelo menos tão boas quanto as que nós mesmos temos e exigimos ter. Ora, um dos factores cruciais para a melhoria das condições de vida de quem hoje morre à fome é, evidentemente, ter à sua disposição alimentos que lhe permitam deixar de ter fome. E já vimos que a produção de alimentos de origem animal não oferece respostas para este problema; pelo contrário, acentua-o. Mais ainda, se o fim da produção de alimentos de origem animal e a consequente produção de alimentos de origem exclusivamente vegetal são um meio eficaz para responder ao problema da fome, então temos o dever ético de implementar esta mudança imediatamente. Volta a reforçar-se o vegetarianismo como obrigação ética. E reforça-se, recapitulando, pelo respeito que devemos aos animais não-humanos, pelo dever que temos de preservar o equilíbrio ecológico, e pelo dever que temos de ter um sistema de produção alimentar economicamente eficiente como meio para alimentar adequadamente todo o efectivo da população mundial.
Então, ética, ecológica e economicamente, o sistema de produção alimentar que assenta na exploração de animais com fins alimentares é um erro. E é um erro que deve ter um fim imediato, pois temos também razões que se prendem também com a defesa dos membros da nossa espécie para nos tornarmos vegetarianos, não apenas com o respeito pelos membros de outras espécies. E isto tem que ser aceite até pelos especistas (embora estes tenham sérios problemas em manter o seu especismo plausivelmente). Posto isto, como poderemos continuar a viver sem nos tornarmos vegetarianos?
Conclusão
Em suma, estes são alguns dos argumentos éticos segundo os quais nos devemos tornar integralmente vegetarianos, sendo esta, como defendi, uma implicação dos princípios morais mais importantes que temos, que reconhecemos e que queremos ver universalmente aplicados. Mais poderia ser dito, mas ficam lançadas as bases éticas principais a partir das quais outras conclusões podem ser derivadas no mesmo sentido do que aqui defendi.
Referências:
Singer, Peter. 1975. Animal Liberation. Londres: Pimlico, 1995 (2nd Edition).
Singer, Peter. 1993. Ética Prática. Trad. Álvaro A. Fernandes. Lisboa: Gradiva, 2000.
Rachels, James. 1990. Created from Animals: The Moral Implications of Darwinism. Oxford: Oxford University Press, 1999.
Murcho, Desidério. "Vegetarianismo Ético Minimalista". Crítica, 2002.
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O SULTÃO E OS DENTES
O sultão e o sonho
Certa vez, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Ele acordou assustado e mandou chamar um sábio para que interpretasse o sonho.
- Que desgraça, Senhor! - exclamou o sábio - Cada dente caído representa a perda de um parente de Vossa Majestade!
- Mas que insolente - gritou o sultão - Como se atreve a dizer tal coisa?
Então, chamou os guardas e mandou que lhe dessem cem chicotadas. Mandou também que chamassem outro sábio para interpretar o mesmo sonho. O outro sábio disse:
- Senhor, uma grande felicidade vos está reservada! O sonho indica que ireis viver mais que todos os vossos parentes!
A fisionomia do sultão se iluminou, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao sábio.
Quando este saía do palácio, um cortesão perguntou ao sábio:
- Como é possível? A interpretação que você fez foi a mesma do seu colega. No entanto, ele levou chicotadas, e você, moedas de ouro!
- Lembre-se sempre - respondeu o sábio - tudo depende da maneira de dizer as coisas.
E esse é um dos grandes desafios da Humanidade. É daí que vem a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra.
A verdade deve ser dita sempre, não resta a menor dúvida, mas a forma como ela é dita é que faz a diferença.
Certa vez, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Ele acordou assustado e mandou chamar um sábio para que interpretasse o sonho.
- Que desgraça, Senhor! - exclamou o sábio - Cada dente caído representa a perda de um parente de Vossa Majestade!
- Mas que insolente - gritou o sultão - Como se atreve a dizer tal coisa?
Então, chamou os guardas e mandou que lhe dessem cem chicotadas. Mandou também que chamassem outro sábio para interpretar o mesmo sonho. O outro sábio disse:
- Senhor, uma grande felicidade vos está reservada! O sonho indica que ireis viver mais que todos os vossos parentes!
A fisionomia do sultão se iluminou, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao sábio.
Quando este saía do palácio, um cortesão perguntou ao sábio:
- Como é possível? A interpretação que você fez foi a mesma do seu colega. No entanto, ele levou chicotadas, e você, moedas de ouro!
- Lembre-se sempre - respondeu o sábio - tudo depende da maneira de dizer as coisas.
E esse é um dos grandes desafios da Humanidade. É daí que vem a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra.
A verdade deve ser dita sempre, não resta a menor dúvida, mas a forma como ela é dita é que faz a diferença.
CARTA DE SÃO PAULO AOS CORÍNTIOS
I Coríntios é como é conhecida a primeira epístola de S. Paulo aos coríntios. É nesta epístola que encontramos a famosa passagem sobre a importância do amor genuíno, no capítulo 13; e também sobre dons espirituais, no capítulo 12. A I Coríntios é considerada uma das epístolas mais poéticas do "Apostolo dos Gentios" como Paulo de Tarso era chamado.
Capítulo 13, Versículos 1 a 13:
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o Amor."
Capítulo 13, Versículos 1 a 13:
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o Amor."
EMPRESA TAMBÉM É EMOÇÃO
Empresa também é emoção
Patrícia Bispo
Já se foi o tempo em que separar a emoção da razão era considerado fator indispensável para o sucesso dos negócios. Hoje, essa visão começa a perder força, já que as empresas passaram a ver no potencial humano o diferencial para o negócio. E como é possível separar o homem dos sentimentos? "Exigir isso é o mesmo que tentar deslocar nossa cabeça do resto do corpo. O que é preciso é saber gerenciar e dosar bem as duas medidas, como em tudo na vida", afirma Maria Carlota Boabaid. Pedagoga e mestre em administração de empresas, ela atua na área de Gestão de Pessoas do Sistema da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. Com uma visão ampla sobre o tema emoção e trabalho, Maria Carlota afirma ainda que a emoção não é berço ou privilégio apenas da área. É inerente e insumo do ser humano, está presente em todos os lugares e influencia a motivação das pessoas. "Talvez a gestão das questões comportamentais, sim, devam ser tratadas pelo RH. Mas, comportamento é uma das expressões da emoção", complementa. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Boabaid fala sobre o tema emoções de forma bem peculiar. Confira a entrevista na íntegra e aproveite a leitura!
RH.com.br - Estando no ambiente de trabalho, é possível para um profissional separar a emoção da razão?
Maria Carlota Boabaid - Eu entendo que separar a razão da emoção não é possível. Seria o mesmo que tentar deslocar nossa cabeça do resto do corpo. O que é preciso é saber gerenciar e dosar bem as duas medidas, como em tudo na vida. Existem aqueles momentos que nos exigem posturas pragmáticas, já há aqueles outros onde a subjetividade impera. Agora, deixar nosso lado emoção em casa e ir para o trabalho carregando somente a razão, é humanamente impossível. Não se pode dissociar a razão da emoção no ser humano. Num robô, talvez. Mesmo sabendo que a emoção e o sentimento não são ainda compatíveis com o mundo pragmático imediatista dos negócios. Mais se atritam do que se afinam, mas estão evoluindo. É um processo de médio prazo, talvez para as próximas gerações de profissionais. Este é um desafio para o profissional reflexivo. Então, se quisermos ter pessoas dentro do ambiente empresarial, teremos que aceitá-las como são. Com emoção, com limitações, cometendo erros e acertos.
RH - Já que não é possível deixar a emoção fora do ambiente de trabalho, até que ponto esse sentimento deve ser usado dentro da organização?
Maria Carlota Boabaid - Penso que as organizações poderiam avançar mais, ousar estrategicamente e adotar modelos de gestão onde os alicerces psicológicos dos profissionais e de sua ecologia fossem respeitados e prestigiados, a exemplo das abordagens sistêmicas e complexas. É preciso detectar emoção nas ações, ou seja, amor, sentimento, envolvimento, independente de picuinhas ou desavenças trabalhistas com o empregador. Mas, acima de tudo há de se ter paixão naquilo que se produz, portanto, estamos falando de emoção. Revestido deste sentimento não há competência que não evolua, não há possibilidade de melhoria que não se aprimore. Pois a pessoa está motivada, impulsionada por um ambiente propício, confiante e consistente. Um ambiente que tolera o erro. Infelizmente, as organizações parecem ainda viver mais na fase do discurso e não da ação. Atua-se num mundo de negócios mecanicistas, de padrões e normas pré-estabelecidas e mais do que previsíveis. O novo, o inusitado, o complexo, o transgressor ainda não fazem parte desse universo mais amplo.
RH - A emoção deve ter limites no ambiente de trabalho?
Maria Carlota Boabaid - Não podemos é confundir a emoção do ser humano, intrínseca, com esses apelos motivacionais tão propagados, engatados em expressões de alto impacto mercadológico, tentando convencer aos desavisados o quão infelizes e incompetentes somos. Por outro lado, caso um profissional já apresente uma desarmonia, um quadro de instabilidade psicológica, de desordem emocional dentro do ambiente da empresa, o mesmo deve ser encaminhado à área competente, ou seja, à área médica, e não para o Recursos Humanos. Recursos Humanos não trata de doenças e sim de desempenho. Desordem emocional, depressão ou qualquer outra patologia congênere devem ser administrados sob a ótica da medicina. A área de Recursos Humanos deve gerir o comportamental, postura atitudinal, e o desempenho de competências dos profissionais - habilidades técnicas e intelectuais -, medir e alinhar gaps à visão estratégica da organização. O RH deve ter uma equipe de profissionais altamente qualificados, conhecedores e apaixonados pelos conteúdos e projetos os quais são responsáveis, porque estão lidando com o insumo mais relevante da empresa: o ser humano.
RH - O que diferencia uma empresa com emoção daquela sem sentimentos?
Maria Carlota Boabaid - Não sei diferenciar uma empresa com emoção de uma sem sentimentos. Penso que uma empresa sem sentimentos está fadada a estar fora do mercado num curto espaço de tempo. Não tem postura estratégica para competir com as que já evoluíram e perceberam que as pessoas fazem parte do processo do negócio. O que poderia fazer a diferença nesse mundo emergente de lucros imediatos competitivo global? O ser humano, é a resposta. Portanto, não é uma postura altruísta, e sim, capitalista. A partir de 1990 passou-se a investir mais no ser humano, inicialmente através de discursos, expressões impactantes proferidas por gurus americanos que por hábito do poder e cultura utilizavam-se de meios facilitadores que dispunham para disseminar suas políticas e visões de mercado. Passado esse primeiro período de euforismo motivacional em relação ao tratamento do ser humano no ambiente organizacional, hoje, percebe-se, tanto por parte dos gestores que decidem quanto por parte do funcionário comum, uma compreensão mais madura, consciente, pertinente ao mundo empresarial, que é o de gerar lucro, deixando para trás aquela idéia equivocada de que tratar o ser humano no ambiente organizacional é agraciá-lo com prêmios, festinhas, ser amigo e boa gente, ter sempre aquela palavra de otimismo de corredor, do tapinha nas costas, ou da empresa se vangloriar de ter investido pesado em treinamentos motivacionais.
RH - Que benefícios a emoção gera ao ambiente de trabalho?
Maria Carlota Boabaid - Sem emoção, não há idéia nem pensamento. Não há vida. O sujeito está morto. Acredito que o maior benefício que a emoção pode trazer para o ambiente de trabalho é o resultado da competência aplicada. Porque um profissional que produz com toda a sua força de inteligência, põe a criatividade para funcionar, tem liberdade de expressão, que lapida sistematicamente seus conhecimentos e refina seu comportamento em consonância com os valores da organização, a médio e longo prazos, pensando no conjunto de equipe, teremos pessoas desempenhando cada vez melhor.
RH - Que ações a organização pode adotar para estimular a emoção entre os colaboradores?
Maria Carlota Boabaid - Inspirar as pessoas a pensar, a discutir idéias, a propor novas alternativas para sair do lugar comum, mesmo parecendo uma loucura para a grande maioria. É dessa ousadia que surge a transgressão, nossa riqueza maior. O novo, a nova idéia, somente poderá surgir e vir à tona, se dermos uma oportunidade. E é nesse despertar, é nesse desabrochar, na liberdade de expressão, isento do medo de perder o emprego, das pressões econômicas, que o profissional se sente propício para expor seus pensamentos e sentimentos. É o algo novo que em algum lugar, algum colega de simples posição no trabalho, poderá ter a chance de externar seu pensamento. Até porque quem nos garante que o saber é privilégio de uma elite decisória?
RH - Dentro dessa realidade, como entra a atuação do profissional de Recursos Humanos?
Maria carlota Boabaid - O profissional de Recursos Humanos primeiramente deve ter uma atuação estratégica, juntamente com a direção da empresa. Não se pode dissociar as ações estratégias organizacionais da área de Recursos Humanos, afinal quem irá implementar as ações são as pessoas. Portanto, pessoas são matéria-prima desse processo. Mas, infelizmente não é isso que presenciamos. Na prática a realidade é bem distante do discurso e o que é pior, por absoluta ignorância de alguns gestores que resistem à mudança por receio de perder poder e controle da situação. É uma evolução que mexe diretamente na vaidade e nas amarras internas de quem está no poder. Cutucar vaidade e poder é assunto para um livro.
RH - A área de RH é o berço das emoções corporativas?
Maria Carlota Boabaid - Emoção não é berço ou privilégio de área alguma. É inerente e insumo do ser humano. Está presente em todos os lugares. Talvez a gestão das questões comportamentais, sim, devam ser tratadas, como já mencionei anteriormente, pelo RH. Mas, comportamento é uma das expressões da emoção. As filigranas psicológicas ainda são consideradas um lado piegas, jocoso nos ambientes empresariais. O lado psicológico no mundo dos negócios, no máximo, serve como ferramenta para ser utilizada nos momentos de lazer e sociais na empresa. O lado emocional do ser humano é freqüentemente desconsiderado, como se esta faceta "psicológica" fosse denegrir o todo da pessoa, rebaixá-la, desmerecê-la ou até ferir sua virilidade. Faz parte de nossa herança cultura patriarcal.
RH - Que conselhos a Sra. daria para o RH que precisa lidar com as emoções da pessoas?
Maria Carlota Boabaid -O RH precisa ser estratégico não somente no discurso, mas essencialmente na ação, na hora do movimento. É premente para o RH ser galgado ao nível de importância decisória junto à presidência da organização. Não se pode mais aceitar RH como área meio, como apoio operacional. Mas ao mesmo tempo é preciso que seus profissionais integrantes façam valer suas funções e merecer suas intenções. Querer todos querem, mas se percebe que poucos agem e ambicionam modificar esse quadro tradicional de rotinas trabalhistas e de cultura punitiva.
RH - E o que é preciso para mudar esse quadro?
Maria Carlota Boabaid - É imperioso avançar para um Recursos Humanos de profissionais reflexivos, de conteúdos prospectivos e competentes, e definitivamente sair do empoeirado departamento de pessoal. As pessoas, além de conhecimentos técnicos e intelectuais, são dotadas de emoções. Portanto, se uma organização é compreendida por pessoas e estas têm emoções, tem-se que estar preparados no ambiente organizacional para lidar com essa subjetividade. Não se pode acreditar que todos os profissionais atuarão todos os dias igualmente, pragmaticamente, numa simetria presumível. Deve-se respeitar os limites do ser humano, sua diversidade individual perante o ambiente onde atua. Apostar no talento e competências do profissional e impulsioná-lo para avançar e não, ficar treinando-o em temas os quais ele não tem afinidade alguma. Dar um feedback para seu profissional baseado naquilo que ele é bom, competente, talentoso e conversar com ele para corrigir, ajustar as possibilidades de melhorias, que são os gaps, para nivelar às competências requeridas da organização.
Patrícia Bispo
Jornalista responsável pelo conteúdo da comunidade virtual RH.com.br.
Patrícia Bispo
Já se foi o tempo em que separar a emoção da razão era considerado fator indispensável para o sucesso dos negócios. Hoje, essa visão começa a perder força, já que as empresas passaram a ver no potencial humano o diferencial para o negócio. E como é possível separar o homem dos sentimentos? "Exigir isso é o mesmo que tentar deslocar nossa cabeça do resto do corpo. O que é preciso é saber gerenciar e dosar bem as duas medidas, como em tudo na vida", afirma Maria Carlota Boabaid. Pedagoga e mestre em administração de empresas, ela atua na área de Gestão de Pessoas do Sistema da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. Com uma visão ampla sobre o tema emoção e trabalho, Maria Carlota afirma ainda que a emoção não é berço ou privilégio apenas da área. É inerente e insumo do ser humano, está presente em todos os lugares e influencia a motivação das pessoas. "Talvez a gestão das questões comportamentais, sim, devam ser tratadas pelo RH. Mas, comportamento é uma das expressões da emoção", complementa. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Boabaid fala sobre o tema emoções de forma bem peculiar. Confira a entrevista na íntegra e aproveite a leitura!
RH.com.br - Estando no ambiente de trabalho, é possível para um profissional separar a emoção da razão?
Maria Carlota Boabaid - Eu entendo que separar a razão da emoção não é possível. Seria o mesmo que tentar deslocar nossa cabeça do resto do corpo. O que é preciso é saber gerenciar e dosar bem as duas medidas, como em tudo na vida. Existem aqueles momentos que nos exigem posturas pragmáticas, já há aqueles outros onde a subjetividade impera. Agora, deixar nosso lado emoção em casa e ir para o trabalho carregando somente a razão, é humanamente impossível. Não se pode dissociar a razão da emoção no ser humano. Num robô, talvez. Mesmo sabendo que a emoção e o sentimento não são ainda compatíveis com o mundo pragmático imediatista dos negócios. Mais se atritam do que se afinam, mas estão evoluindo. É um processo de médio prazo, talvez para as próximas gerações de profissionais. Este é um desafio para o profissional reflexivo. Então, se quisermos ter pessoas dentro do ambiente empresarial, teremos que aceitá-las como são. Com emoção, com limitações, cometendo erros e acertos.
RH - Já que não é possível deixar a emoção fora do ambiente de trabalho, até que ponto esse sentimento deve ser usado dentro da organização?
Maria Carlota Boabaid - Penso que as organizações poderiam avançar mais, ousar estrategicamente e adotar modelos de gestão onde os alicerces psicológicos dos profissionais e de sua ecologia fossem respeitados e prestigiados, a exemplo das abordagens sistêmicas e complexas. É preciso detectar emoção nas ações, ou seja, amor, sentimento, envolvimento, independente de picuinhas ou desavenças trabalhistas com o empregador. Mas, acima de tudo há de se ter paixão naquilo que se produz, portanto, estamos falando de emoção. Revestido deste sentimento não há competência que não evolua, não há possibilidade de melhoria que não se aprimore. Pois a pessoa está motivada, impulsionada por um ambiente propício, confiante e consistente. Um ambiente que tolera o erro. Infelizmente, as organizações parecem ainda viver mais na fase do discurso e não da ação. Atua-se num mundo de negócios mecanicistas, de padrões e normas pré-estabelecidas e mais do que previsíveis. O novo, o inusitado, o complexo, o transgressor ainda não fazem parte desse universo mais amplo.
RH - A emoção deve ter limites no ambiente de trabalho?
Maria Carlota Boabaid - Não podemos é confundir a emoção do ser humano, intrínseca, com esses apelos motivacionais tão propagados, engatados em expressões de alto impacto mercadológico, tentando convencer aos desavisados o quão infelizes e incompetentes somos. Por outro lado, caso um profissional já apresente uma desarmonia, um quadro de instabilidade psicológica, de desordem emocional dentro do ambiente da empresa, o mesmo deve ser encaminhado à área competente, ou seja, à área médica, e não para o Recursos Humanos. Recursos Humanos não trata de doenças e sim de desempenho. Desordem emocional, depressão ou qualquer outra patologia congênere devem ser administrados sob a ótica da medicina. A área de Recursos Humanos deve gerir o comportamental, postura atitudinal, e o desempenho de competências dos profissionais - habilidades técnicas e intelectuais -, medir e alinhar gaps à visão estratégica da organização. O RH deve ter uma equipe de profissionais altamente qualificados, conhecedores e apaixonados pelos conteúdos e projetos os quais são responsáveis, porque estão lidando com o insumo mais relevante da empresa: o ser humano.
RH - O que diferencia uma empresa com emoção daquela sem sentimentos?
Maria Carlota Boabaid - Não sei diferenciar uma empresa com emoção de uma sem sentimentos. Penso que uma empresa sem sentimentos está fadada a estar fora do mercado num curto espaço de tempo. Não tem postura estratégica para competir com as que já evoluíram e perceberam que as pessoas fazem parte do processo do negócio. O que poderia fazer a diferença nesse mundo emergente de lucros imediatos competitivo global? O ser humano, é a resposta. Portanto, não é uma postura altruísta, e sim, capitalista. A partir de 1990 passou-se a investir mais no ser humano, inicialmente através de discursos, expressões impactantes proferidas por gurus americanos que por hábito do poder e cultura utilizavam-se de meios facilitadores que dispunham para disseminar suas políticas e visões de mercado. Passado esse primeiro período de euforismo motivacional em relação ao tratamento do ser humano no ambiente organizacional, hoje, percebe-se, tanto por parte dos gestores que decidem quanto por parte do funcionário comum, uma compreensão mais madura, consciente, pertinente ao mundo empresarial, que é o de gerar lucro, deixando para trás aquela idéia equivocada de que tratar o ser humano no ambiente organizacional é agraciá-lo com prêmios, festinhas, ser amigo e boa gente, ter sempre aquela palavra de otimismo de corredor, do tapinha nas costas, ou da empresa se vangloriar de ter investido pesado em treinamentos motivacionais.
RH - Que benefícios a emoção gera ao ambiente de trabalho?
Maria Carlota Boabaid - Sem emoção, não há idéia nem pensamento. Não há vida. O sujeito está morto. Acredito que o maior benefício que a emoção pode trazer para o ambiente de trabalho é o resultado da competência aplicada. Porque um profissional que produz com toda a sua força de inteligência, põe a criatividade para funcionar, tem liberdade de expressão, que lapida sistematicamente seus conhecimentos e refina seu comportamento em consonância com os valores da organização, a médio e longo prazos, pensando no conjunto de equipe, teremos pessoas desempenhando cada vez melhor.
RH - Que ações a organização pode adotar para estimular a emoção entre os colaboradores?
Maria Carlota Boabaid - Inspirar as pessoas a pensar, a discutir idéias, a propor novas alternativas para sair do lugar comum, mesmo parecendo uma loucura para a grande maioria. É dessa ousadia que surge a transgressão, nossa riqueza maior. O novo, a nova idéia, somente poderá surgir e vir à tona, se dermos uma oportunidade. E é nesse despertar, é nesse desabrochar, na liberdade de expressão, isento do medo de perder o emprego, das pressões econômicas, que o profissional se sente propício para expor seus pensamentos e sentimentos. É o algo novo que em algum lugar, algum colega de simples posição no trabalho, poderá ter a chance de externar seu pensamento. Até porque quem nos garante que o saber é privilégio de uma elite decisória?
RH - Dentro dessa realidade, como entra a atuação do profissional de Recursos Humanos?
Maria carlota Boabaid - O profissional de Recursos Humanos primeiramente deve ter uma atuação estratégica, juntamente com a direção da empresa. Não se pode dissociar as ações estratégias organizacionais da área de Recursos Humanos, afinal quem irá implementar as ações são as pessoas. Portanto, pessoas são matéria-prima desse processo. Mas, infelizmente não é isso que presenciamos. Na prática a realidade é bem distante do discurso e o que é pior, por absoluta ignorância de alguns gestores que resistem à mudança por receio de perder poder e controle da situação. É uma evolução que mexe diretamente na vaidade e nas amarras internas de quem está no poder. Cutucar vaidade e poder é assunto para um livro.
RH - A área de RH é o berço das emoções corporativas?
Maria Carlota Boabaid - Emoção não é berço ou privilégio de área alguma. É inerente e insumo do ser humano. Está presente em todos os lugares. Talvez a gestão das questões comportamentais, sim, devam ser tratadas, como já mencionei anteriormente, pelo RH. Mas, comportamento é uma das expressões da emoção. As filigranas psicológicas ainda são consideradas um lado piegas, jocoso nos ambientes empresariais. O lado psicológico no mundo dos negócios, no máximo, serve como ferramenta para ser utilizada nos momentos de lazer e sociais na empresa. O lado emocional do ser humano é freqüentemente desconsiderado, como se esta faceta "psicológica" fosse denegrir o todo da pessoa, rebaixá-la, desmerecê-la ou até ferir sua virilidade. Faz parte de nossa herança cultura patriarcal.
RH - Que conselhos a Sra. daria para o RH que precisa lidar com as emoções da pessoas?
Maria Carlota Boabaid -O RH precisa ser estratégico não somente no discurso, mas essencialmente na ação, na hora do movimento. É premente para o RH ser galgado ao nível de importância decisória junto à presidência da organização. Não se pode mais aceitar RH como área meio, como apoio operacional. Mas ao mesmo tempo é preciso que seus profissionais integrantes façam valer suas funções e merecer suas intenções. Querer todos querem, mas se percebe que poucos agem e ambicionam modificar esse quadro tradicional de rotinas trabalhistas e de cultura punitiva.
RH - E o que é preciso para mudar esse quadro?
Maria Carlota Boabaid - É imperioso avançar para um Recursos Humanos de profissionais reflexivos, de conteúdos prospectivos e competentes, e definitivamente sair do empoeirado departamento de pessoal. As pessoas, além de conhecimentos técnicos e intelectuais, são dotadas de emoções. Portanto, se uma organização é compreendida por pessoas e estas têm emoções, tem-se que estar preparados no ambiente organizacional para lidar com essa subjetividade. Não se pode acreditar que todos os profissionais atuarão todos os dias igualmente, pragmaticamente, numa simetria presumível. Deve-se respeitar os limites do ser humano, sua diversidade individual perante o ambiente onde atua. Apostar no talento e competências do profissional e impulsioná-lo para avançar e não, ficar treinando-o em temas os quais ele não tem afinidade alguma. Dar um feedback para seu profissional baseado naquilo que ele é bom, competente, talentoso e conversar com ele para corrigir, ajustar as possibilidades de melhorias, que são os gaps, para nivelar às competências requeridas da organização.
Patrícia Bispo
Jornalista responsável pelo conteúdo da comunidade virtual RH.com.br.
AUTOMOTIVAÇÃO
Automotivação: está dentro de você. Estimule esta ação!
Júlia Telles
Se passarmos o tempo inteiro de nossas vidas fazendo lamentações os nossos dias serão cada vez mais lamentáveis, portanto, devemos buscar um motivo dentro de nós que provoque o nosso ânimo.
Você acredita na sorte?
Conheci pessoas que tiveram sorte, pois estavam no momento exato e souberam agarrá-la, quando ela esteve presente. Conheço pessoas que souberam buscar a SORTE e também muitas que continuam buscando, mas não desistiram e não desistem, porque não estão apenas esperando e deixando o tempo passar, estão agindo, buscando, projetando, pois a SORTE não é em curto prazo e sim exige muito esforço.
Como buscar a SORTE?
Nunca ouvi falar de pessoas que tinham objetivos e ficaram trancadas em paredes de vidros, esperando pela sorte sem que houvesse movimento.
Não se pode esperar pela boa sorte se não houver ânimo, vontade, desejo de vencer e querer vencer. A SORTE não chega se não tivermos motivos suficientes para que ela aconteça e esses motivos estão dentro de nós, não basta querer, temos que nos movimentar para fazer acontecer, isto é o que eu chamo de automotivação (encontrar o seu próprio motivo para praticar uma ação).
Onde posso encontrar motivos para praticar uma ação? O que fazer para ser uma pessoa automotivada?
Somos conscientes que só a teoria não basta, mas se associarmos à prática, criaremos o hábito, então nos encontraremos com o nosso próprio "EU" e teremos milhões de motivos para nos automotivar.
* Sorria para a vida. Lembre-se que existem pessoas que gostariam de estar no seu lugar, ter a oportunidade de enxergar, andar, falar, correr, gritar, buscar... Buscar a felicidade, a qual muitos têm as ferramentas, mas não sabem ou não fazem o mínimo esforço para utilizá-las e viver bem.
* Viva com intensidade, aproveite cada momento, pois a vida é efêmera e os momentos são únicos.
* Cante, mesmo que desafine, o importante é que cante.
* Dance, não se importe com o ritmo, crie o seu próprio ritmo.
* Aprenda a ouvir, mesmo que seja uma piada não tão engraçada, mas tente tirar dela o melhor proveito.
* Construa um círculo enorme de amizades, pois é muito bom ter um amigo e melhor ainda é ser considerado um amigo.
* Agradeça, não importa qual seja a sua crença, mas agradeça todos os dias por você existir e ter o privilégio de fazer parte desse universo, agradeça tudo o que lhe é concedido, lembre-se de que algumas coisas acontecem para o nosso bem.
* Vibre com o sucesso do seu amigo, lembre-se que o seu está por vir e pode estar mais próximo do que você imagina.
* Relaxe, quando estiver deitado, lembre-se de algo que o faça sentir-se leve, mesmo que seja apenas imaginação, lembre-se: o verdadeiro sonhador é aquele que sonha acordado e sabe exatamente qual o tamanho do seu sonho e o que fazer para alcançá-lo.
* Reinvente-se, dê uma chance a você mesmo, passamos uma boa parte de nossas vidas apegados ao passado, lembre-se: a vida não é como um filme, não tem como retroceder, temos que ir em frente por mais longa que seja a caminhada.
* Pense no hoje, no aqui agora, pois dele dependerá o seu futuro, lembre-se: somos os responsáveis por uma boa parte dos obstáculos que impedem as nossas conquistas.
* Pratique exercícios, caminhe, logo você estará correndo e se sentindo livre como um pássaro.
* Compartilhe experiências e conhecimentos sem medo, pois o conhecimento a gente pode dividir, lembre-se: o que é da gente ninguém tira, assim sobrará espaço na sua mente para brotar novas idéias.
* Não deixe que a inveja invada o seu SER, você é capaz e pode fazer a sua própria conquista, deseje o que possa conseguir com o seu mérito e lembre-se: você tem grandes méritos!
* Seja sincero com você mesmo, pois assim fica mais fácil encontrar motivos para ser feliz.
* Comemore sempre que obtiver sucesso, mesmo que seja só você. Grite "Uau"! Sinta-se o quanto é importante e o quanto pode facilitar enquanto um bom cidadão para vida de tantas pessoas.
* Não deixe que o erro ou o fracasso seja o seu condutor, aprenda a conduzi-los e só você pode fazer isso, lembre-se: para se ter um lindo jardim é necessário cuidá-lo e as mais belas flores não existirão se não plantarmos.
Júlia Telles
Se passarmos o tempo inteiro de nossas vidas fazendo lamentações os nossos dias serão cada vez mais lamentáveis, portanto, devemos buscar um motivo dentro de nós que provoque o nosso ânimo.
Você acredita na sorte?
Conheci pessoas que tiveram sorte, pois estavam no momento exato e souberam agarrá-la, quando ela esteve presente. Conheço pessoas que souberam buscar a SORTE e também muitas que continuam buscando, mas não desistiram e não desistem, porque não estão apenas esperando e deixando o tempo passar, estão agindo, buscando, projetando, pois a SORTE não é em curto prazo e sim exige muito esforço.
Como buscar a SORTE?
Nunca ouvi falar de pessoas que tinham objetivos e ficaram trancadas em paredes de vidros, esperando pela sorte sem que houvesse movimento.
Não se pode esperar pela boa sorte se não houver ânimo, vontade, desejo de vencer e querer vencer. A SORTE não chega se não tivermos motivos suficientes para que ela aconteça e esses motivos estão dentro de nós, não basta querer, temos que nos movimentar para fazer acontecer, isto é o que eu chamo de automotivação (encontrar o seu próprio motivo para praticar uma ação).
Onde posso encontrar motivos para praticar uma ação? O que fazer para ser uma pessoa automotivada?
Somos conscientes que só a teoria não basta, mas se associarmos à prática, criaremos o hábito, então nos encontraremos com o nosso próprio "EU" e teremos milhões de motivos para nos automotivar.
* Sorria para a vida. Lembre-se que existem pessoas que gostariam de estar no seu lugar, ter a oportunidade de enxergar, andar, falar, correr, gritar, buscar... Buscar a felicidade, a qual muitos têm as ferramentas, mas não sabem ou não fazem o mínimo esforço para utilizá-las e viver bem.
* Viva com intensidade, aproveite cada momento, pois a vida é efêmera e os momentos são únicos.
* Cante, mesmo que desafine, o importante é que cante.
* Dance, não se importe com o ritmo, crie o seu próprio ritmo.
* Aprenda a ouvir, mesmo que seja uma piada não tão engraçada, mas tente tirar dela o melhor proveito.
* Construa um círculo enorme de amizades, pois é muito bom ter um amigo e melhor ainda é ser considerado um amigo.
* Agradeça, não importa qual seja a sua crença, mas agradeça todos os dias por você existir e ter o privilégio de fazer parte desse universo, agradeça tudo o que lhe é concedido, lembre-se de que algumas coisas acontecem para o nosso bem.
* Vibre com o sucesso do seu amigo, lembre-se que o seu está por vir e pode estar mais próximo do que você imagina.
* Relaxe, quando estiver deitado, lembre-se de algo que o faça sentir-se leve, mesmo que seja apenas imaginação, lembre-se: o verdadeiro sonhador é aquele que sonha acordado e sabe exatamente qual o tamanho do seu sonho e o que fazer para alcançá-lo.
* Reinvente-se, dê uma chance a você mesmo, passamos uma boa parte de nossas vidas apegados ao passado, lembre-se: a vida não é como um filme, não tem como retroceder, temos que ir em frente por mais longa que seja a caminhada.
* Pense no hoje, no aqui agora, pois dele dependerá o seu futuro, lembre-se: somos os responsáveis por uma boa parte dos obstáculos que impedem as nossas conquistas.
* Pratique exercícios, caminhe, logo você estará correndo e se sentindo livre como um pássaro.
* Compartilhe experiências e conhecimentos sem medo, pois o conhecimento a gente pode dividir, lembre-se: o que é da gente ninguém tira, assim sobrará espaço na sua mente para brotar novas idéias.
* Não deixe que a inveja invada o seu SER, você é capaz e pode fazer a sua própria conquista, deseje o que possa conseguir com o seu mérito e lembre-se: você tem grandes méritos!
* Seja sincero com você mesmo, pois assim fica mais fácil encontrar motivos para ser feliz.
* Comemore sempre que obtiver sucesso, mesmo que seja só você. Grite "Uau"! Sinta-se o quanto é importante e o quanto pode facilitar enquanto um bom cidadão para vida de tantas pessoas.
* Não deixe que o erro ou o fracasso seja o seu condutor, aprenda a conduzi-los e só você pode fazer isso, lembre-se: para se ter um lindo jardim é necessário cuidá-lo e as mais belas flores não existirão se não plantarmos.
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