domingo, 13 de julho de 2008

8 REFLEXÕES SOBRE LIDERANÇA E ESTRATÉGIA

8 reflexões sobre
liderança e estratégia
Peter Drucker, Tom Peters, Ken Blanchard, Gary Hamel, Stephen Covey, Kenichi Ohmae, Peter Senge e Rosabeth Moss Kanter. A nata da gestão reunida no Seminário Mundial de Estratégia e Liderança. A liderança partilhada num mundo em mudança, em que as empresas devem ser revolucionárias, foi a tónica das intervenções. Ouvimos as suas lições e resumimos o essencial
Por: Isabel Canha
A liderança no futuro será democrática, exercida de forma partilhada em todos os níveis da organização. Só assim a empresa poderá, com sucesso, revolucionar a sua indústria criando o futuro. Esta a tónica das intervenções de oito grandes pensadores que discorreram sobre estratégia, liderança e gestão no Seminário Mundial de Estratégia e Liderança, organizado em Portugal pela Tracy International. Através de vídeo-conferência transmitida para mais 40 países a partir dos Estados Unidos, os gestores portugueses puderam também ouvir os ensinamentos dos nomes mais sonantes do mundo da gestão.
Alguns revelaram-se verdadeiros entretainers, como Ken Blanchard ou Tom Peters. Este último provocava gargalhadas na assistência portuguesa, mas nos Estados Unidos os presidentes de empresas presentes remexiam-se na cadeira, incomodados. Outros primaram mais pela seriedade, como Peter Drucker ou Peter Senge. Do conjunto das suas visões fica um registo ímpar do que pensa a nata do mundo da gestão. Resumimos o principal da intervenção destes guias espirituais das empresas.

Gary Hamel
"Neste cenário de mudança, criar uma estratégia é como ser cartógrafo numa zona de sismos. Quando começa a ter uma ideia do terreno algo destrói tudo e as recompensas vão para quem provocou o tremor de terra. Para terem sucesso, as empresas devem criar o seu próprio mapa."
A estratégia continua a ser revolução. Estamos à beira de uma mudança fundamental: de uma economia industrial para uma economia de conhecimento. Nesta nova economia muita riqueza irá ser criada. Mas também muita riqueza irá ser destruída, e isso acontece às empresas que ficam para trás na curva da mudança. Que empresas e indivíduos vão criar o futuro e essas novas riquezas? Quais são os grandes desafios que os líderes terão de enfrentar?
O primeiro desafio é que o sucesso nunca foi uma condição tão ténue quanto o é hoje. O importante é assegurar que a empresa nunca tenha de fazer um turnaround, um downsizing ou contratar um Al Dunlap. As empresas funcionam de acordo com uma lei da entropia, similar à da termodinâmica, têm uma energia, uma paixão que esmorece com o tempo. Há que ser inimigo da entropia.
O segundo desafio é a mudança. Como costuma dizer um amigo meu: "Falamos de produtos que ainda estão a evoluir, para distribuir a um mercado que ainda está a emergir, por uma tecnologia que muda diariamente." Hoje a empresa terá de ser capaz de se reinventar não a cada geração, mas a cada três ou quatro anos. A economia não é só global, é instantânea.
Neste cenário, criar uma estratégia é como ser cartógrafo numa zona de sismos. Assim que começa a ter uma ideia do terreno, algo destrói tudo e as recompensas não vão para o cartógrafo, mas para as pessoas que provocaram o tremor de terra. É difícil ter uma perspectiva do futuro sem um mapa ou quando o mapa de hoje não tem valor amanhã. As empresas de sucesso criam o seu próprio mapa.
Há três tipos de empresas: as que definem as regras do jogo no mercado (rule maker), como a Estée Lauder, por exemplo, que tem uma posição muito mais confortável do que a Shiseido, que ambiciona o seu lugar (rule taker). O terceiro tipo de empresas são as que quebram as regras do jogo (rule breaker), as empresas revolucionárias, como a Body Shop. Enquanto as rule makers e as rule takers falam de transformação organizacional, as rule breakers querem ser as arquitectas da transformação da indústria. E quando as outras acordarem, terão uma organização que não está afinada com as novas necessidades da indústria, ter-se-ão desenvolvido, mas com as competências erradas.
Há empresas que conseguem ser revolucionárias, reinventando as suas indústrias e regenerando as suas estratégias-chave. No fundo têm uma capacidade crítica de estabelecer a inovação, não apenas de produtos ou serviços, mas inovação estratégica, isto é, a capacidade de mudar profundamente os modelos de gestão e de negócio actuais para criar novas formas de servir os clientes com desvantagem para os concorrentes e que cria riqueza para todos.
Foi, por exemplo, o que fez a Swatch. Há uma década assumíamos que os donos do mercado de relógios baratos eram os Japoneses, até que Nicolas Hayek mudou profundamente as regras do jogo, lançando um relógio suíço de plástico e de baixo custo como um acessório de moda, com duas colecções por ano. E com isso salvou a indústria relojoeira suíça.
A Swatch ilustra um outro aspecto: para ser um revolucionário da indústria, frequentemente tem de recorrer a entidades fora da sua indústria que têm as competências de que carece. Os suíços nada sabiam de moda, tiveram de aprender com um centro de design em Milão; não eram proficientes no uso do plástico e por isso recorreram à Lego dinamarquesa.
Há uma cadeia lógica imutável: se quer criar nova riqueza tem de ser capaz de revolucionar a indústria. Para isso tem de ter na sua empresa a capacidade de inovação estratégica que advém da compreensão de três aspectos fundamentais:
• Desafiar as ortodoxias. Todos nós fomos geneticamente programados para pensar na nossa indústria de uma forma determinada. É então preciso identificar o código genético das empresas, as convenções reinantes na sua indústria. Quer saiba quer não, está numa corrida para ver se descobre essas ortodoxias antes de os revolucionários o fazerem.
Se, do dia para a noite, trocasse os gestores das companhias aéreas norte-americanas, nada mudaria no negócio. Porque a diversidade é zero. A Virgin, a British Airways ou a Southwest, essas sim, revolucionaram profundamente as regras;
• Descontinuidade. Os revolucionários da indústria descobrem as coisas que estão a mudar e actuam por forma a liderar essa mudança. Todos gostaríamos de ter uma bola de cristal, mas infelizmente sabemos que é impossível encontrá-la. As previsões e a construção de cenários não nos ajudam muito. A Shell, nos seus cenários, não previu que hoje na Grã-Bretanha os supermercados vendem mais gasolina do que a própria empresa. Como ninguém pode prever o futuro, o objectivo é imaginar um futuro que se pode fazer acontecer. Os revolucionários da indústria não actuam sobre o que irá acontecer, mas sobre o que está a acontecer;
• Competências-chave. Frequentemente a definição básica que damos da nossa empresa está ligada ao que ela faz ou vende, não ao que ela é ou aos conhecimentos que tem. Por exemplo, se a Disney se tivesse definido como uma biblioteca de filmes de animação teria perdido imensos negócios e oportunidades que lhe advêm do profundo conhecimento de quem são, quais os conhecimentos que têm e onde podem esses conhecimentos conduzir a empresa.
A boa notícia é que há revolucionários em todas as empresas. O presidente executivo de uma grande empresa norte-americana disse um dia que "nunca encontrará uma mudança que seja aceite pela empresa". Está totalmente enganado. Em todas as empresas e em todos os níveis há pessoas sedentas de mudança, mais do que no topo da hierarquia. Silicon Valley é um campo de refugiados de revolucionários da indústria que trabalhavam para grandes empresas onde não eram ouvidos.
É um disparate dizer-se que a mudança deve partir do topo. Nunca os monarcas instituíram uma república. É também frequente sustentar-se que as pessoas não gostam da mudança. Quando a mudança é boa, as pessoas querem-na. Acontece é que usam o termo "mudança" para encapotar coisas desagradáveis que vão acontecer às pessoas. Claro que resistem à mudança se o preço é, desproporcionalmente, pago pelos que estão na base da organização.
Cada empregado tem direito a ter uma palavra a dizer acerca da estratégia. Nem todas serão inovadoras e terão impacte. Mas a alternativa de cinco iluminados que decide no topo e comunica para baixo na organização não é mais válida. Não se trata de formulação estratégica elaborada no topo da organização, mas de inovação estratégica elaborada por toda a organização.

Gary Hamel é professor associado de Estratégia e Gestão Internacional na London Business School, chairman da consultora Strategos e co-autor de Competing for the Future, considerado um dos livros de gestão mais influentes da década de 90.

Stephen Covey
"Os líderes sacrificam-se e operam de acordo com certos princípios fundamentais para concretizar a sua visão. Estão dispostos a sacrificar até a vida. Como disse um austríaco encarcerado nos campos de concentração nazis: ‘Suporto qualquer o quê se tenho um porquê."
Resolver os dilemas com sacrifício. Hoje há três constantes: a mudança, os princípios (as leis naturais e universais, que são intemporais, auto-evidentes e duradouras) e a escolha (o poder que temos em nós de lidar com as outras duas constantes, de usar a imaginação).
Estamos perante vários dilemas. O primeiro é um dilema organizacional: os negócios são dirigidos pelas leis económicas do mercado e as empresas pela cultura do local de trabalho. Outro dilema é o dilema de gestão: os gestores querem mais por menos e os empregados querem mais por menos.
Qual a causa crónica destes dilemas? Será um problema estrutural? Não, sabemos que há muitas excepções. Nelas parece haver um denominador comum que cria harmonia. Pode exercer-se o poder de escolha para adaptar os princípios (a segunda constante), para lidar com a primeira constante, a mudança. Como se pode fazer isto?
Sem poder formal, Gandhi libertou 350 milhões de indianos. Nas pessoas que têm esse poder há um elemento comum: sacrificam-se e operam de acordo com certos princípios fundamentais para concretizar a sua visão. Estão dispostas a sacrificar a sua vida (Gandhi foi assassinado), a sua riqueza, a sua honra em nome dela.
O verdadeiro sucesso vem de dentro. A vida das pessoas tem como sentido um objectivo: que princípios respeitar? A princesa Diana sacrificou a realeza pela autenticidade. E um psicólogo austríaco encarcerado nos campos de concentração nazis disse: "Suporto qualquer o quê se tenho um porquê."
Há um momento na vida em que nos questionamos: "Como é que com a minha vida posso fazer uma diferença?" Se conseguirmos descobrir isso e juntar numa base mundial, podemos lidar com esses dilemas. Mas isso envolve ir mais para além do dilema pessoal: as pessoas querem paz de espírito e boas relações interpessoais, mas também manter os seus hábitos e estilo de vida. Uma solução é ganhar uma vitória privada com sacrifício: abdicando de algo menor em troca de algo mais elevado, uma causa maior.
Fomos educados a compararmo-nos com outros, a ver sempre quem é melhor, quem ganha. Gradualmente, desenvolvemos uma entidade baseada nessa comparação sistemática que conduz a nossa vida. Fazemos de tudo uma competição em que um ganha e outro perde. "Se ele é reconhecido eu não sou."
Outra abordagem é a da abundância em que todos podem ganhar ou a vitória de um não ser um bem raro que implica a perca de outro. A chave para transcender a abordagem da raridade do sucesso reside em descobrir o caminho que é excitante, que dá valor e sentido à sua vida. É uma vitória pessoal. Quanto mais segurança isso lhe dá, menos se sente ameaçado pelos outros.
Há ainda um dilema interpessoal: as relações interpessoais são construídas com base na confiança. E os indivíduos pensam mais no eu que no nós. A solução é sacrificar o eu pelo nós.
Os quatro dilemas representam os quatro papéis do líder, que para os resolver deve:
• Ganhar a vitória pessoal, sacrificando o que é importante na vida pessoal, o eu;
• Focar-se no princípio da construção de confiança e sacrificar o eu pelo nós. Para isso há que tentar compreender as pessoas, manter as promessas, ser honesto, gentil, leal para com os ausentes, clarificar as expectativas e saber pedir desculpa;
• Levar o mercado a todos na empresa, usando avaliações de 360º, o que requer um sacrifício, o de ser julgado por todos na organização;
• Fazer a sobreposição da missão dos gestores com a missão dos empregados
Criar o nosso futuro não é esperar que as coisas aconteçam, é reiventar um puzzle em que falta uma peça, a liderança baseada nos princípios que constrói confiança, o elemento que falta nas organizações.

Stephen Covey é autor do livro sobre desenvolvimento pessoal e profissional mais vendido em todo o mundo, The Seven Habits of Highly Effective People. Mais de metade das 500 maiores empresas americanas compram os seus serviços.

Rosabeth Moss Kanter
"A mudança é uma tarefa árdua e, no princípio, tudo parece um fracasso. Mas, se desistir quando os problemas se acumulam e os recursos, energia e tempo começam a escassear, então, sim, será mesmo um fracasso. O líder da mudança deve ser persistente. "
As sete qualidades de um líder. Os negócios são a última monarquia, em que os reis estão muito cientes do seu poder e não executam nada. As pessoas que teoricamente têm o poder não conseguem liderar a mudança se o não partilharem com a organização. Mas diariamente os líderes enfrentam a dificuldade de conseguir levar as pessoas a fazerem o que consideram que deve ser feito.
Para que a organização acompanhe a mudança, os líderes devem dominar sete capacidades essenciais:
• Olhar para além das suas fronteiras para descobrir o que de diferente pode ser feito. Demasiadas organizações avaliam-se por comparação com o seu desempenho no passado ou com o desempenho actual da concorrência. Os líderes da mudança estão antes na senda de um padrão de excelência. Nas suas empresas há uma insatisfação permanente que é o motor da procura de melhores formas de fazer as coisas, melhorando o fosso entre o que fazem e o que poderiam fazer;
• Desafiar as assunções. Os novos líderes da mudança procuram descobrir novas vias. O seu pensamento é como um caleidoscópio: juntam os mesmos fragmentos de forma diferente para dar origem a novos padrões, a algo inovador. Foi o que fez Fred Smith ao lançar a Federal Express; ou a Intel, que inovou também no marketing, conseguindo fazer com que um componente (o processador) seja mais importante do que o próprio computador, com a campanha "Intel inside";
• Visão. Martin Luther King, um bom exemplo de liderança, apregoava: "Eu tenho um sonho", não dizia: "Tenho algumas ideias, podemos formar um comité, estudá-las e ver se resulta." Moisés conduziu o seu povo pelo deserto durante 40 anos porque tinha uma visão, uma terra prometida para lhes oferecer. A visão ajuda a ultrapassar as dificuldades e dá um retrato geral de onde a organização quer estar no futuro;
• Reunir aliados. A importância de formar uma coligação de apoiantes é óbvia e confirmada pelas pesquisas: as organizações que implementam as ideias mais rapidamente são as que envolvem todas as entidades que têm interesse na empresa (empregados, clientes, fornecedores, accionistas) o mais cedo possível. Mas este é também um dos aspectos mais negligenciados pelos líderes;
• Criar uma equipa. O papel do líder é apoiar a equipa de entusiastas, sendo um fiscal de linha e não um treinador. Deve lutar junto do resto da organização para conseguir os recursos - espaço, informação e recursos materiais - para que a equipa possa desenvolver o seu trabalho;
• Persistir e insistir. A mudança é uma tarefa árdua e, no princípio, tudo parece um fracasso. Mas se desistir quando os problemas se acumulam e os recursos, energia e tempo começam a escassear, então será mesmo um fracasso. Se persistir será um sucesso. A Philips, por exemplo, desenvolveu o compact disc antes da Sony, mas desistiu desse produto precocemente. E quem ganhou com isso foi a Sony.
Nesta fase, a coligação de apoiantes, perseverante, pode desempenhar um papel importante. É nesta altura que os críticos actuam - até agora eles acalentavam a esperança de que a ideia não passasse de palavras;
• Partilhar os méritos. Mesmo que a ideia inicial fosse sua, o líder da mudança reparte os créditos. As pessoas precisam de saber que são reconhecidas.

Rosabeth Moss Kanter é professora na Harvard Business School, consultora de multinacionais e autora de Rosabeth Moss Kanter on the Frontiers of Management.

Kenichi Ohmae
"A liderança partilhada é uma regra nas histórias japonesas de sucesso empresarial. Konosuke Matsushita, que era orientado para o produto, e Arataro Takahasi, mais vocacionado para a gestão, trabalharam em parceria durante 30 anos. Formavam a equipa perfeita."
Os líderes são o produto das circunstâncias. O estilo de liderança varia de acordo com o tempo, o lugar e as circunstâncias (TPO: time, place, ocasion). Durante o meu trabalho de consultor junto dos grandes líderes japoneses notei vários estilos de liderança.
Konosuke Matsushita, da Panasonic, era um líder atento. Caracterizava-se por um estilo diferente de todos os que conheço. Ouvia as pessoas, mas sabia decidir. Quando escolhia aqueles com quem trabalhava, fazia-o à sua imagem. "Se cometer um erro eu próprio também o teria cometido", pensava.
Mahathir é movido por uma visão. Tem um sonho a que está colado e de que fala em todas as oportunidades que lhe aparecem. A sua visão é o multimédia.
Tateishi, da Omron, é um descobridor de novos caminhos. Foi o primeiro a ter ATM (automated teller machine, vulgarmente conhecidas como máquinas Multibanco). Tudo o que flui é para ele uma oportunidade: do trânsito ao dinheiro, passando pelos passageiros.
T. Doko (IHI, Toshiba) era um exemplo pela prática. Mostrava como fazer as coisas, como ele próprio era capaz de as fazer, desde reduzir custos a trabalhar arduamente. Depois dava liberdade aos colaboradores. Se eles fracassavam, deixava-os tentar de novo.
Há variáveis que se mantêm estáveis: a liderança partilhada, o líder enquanto timoneiro e fazer mais e melhor. Mas há também importantes mudanças de direcção: para a partilha de valor, o líder enquanto piloto da organização e as mudanças rápidas e atempadas de direcção.
A comunicação é fundamental para o trabalho de equipa. O líder deve com ela partilhar a missão e os objectivos, os resultados e as recompensas. Para que a química da equipa funcione deve ter o mix certo de capacidades.
A liderança partilhada é uma regra nas histórias de sucesso japonesas. Konosuke Matsushita, que era mais orientado para o produto e os seus aspectos tecnológicos, trabalhou durante 30 anos em parceria com Takahasi, mais vocacionado para a gestão. Juntos formavam uma equipa perfeita. Honda e Fujisawa deixaram de assumir o comando da empresa no mesmo dia porque sabiam que a sua força estava na actuação conjunta - a não ser assim, Honda um apaixonado pelo produto, teria, pela primeira vez, de assinar um papel e Fujisawa provavelmente não saberia desenvolver um produto. Na Sony, Akio Morita era o homem do marketing, que atravessou o Pacífico 40 vezes, e Ibuka, o seu sócio que nunca saiu do Japão, o entusiasta da tecnologia.

Kenichi Ohmae é considerado o senhor estratégia. Escreveu mais de 50 livros. O mais recente é The End of the Nation State: The Rise of Regional Economies.

Peter Drucker
"Em crise não há liderança partilhada. Quando o barco se está a afundar o capitão não pode convocar uma reunião para ouvir as pessoas. Tem de dar ordens. Esse o segredo da liderança partilhada: saber em que situações agir como chefe e em que situações actuar como parceiro."

A tarefa do líder é desenvolver líderes. Todas as organizações precisam de líderes, mas muitas delas negligenciam o seu desenvolvimento. Discuti com o líder de uma empresa japonesa, que morreu na década de 80 e com quem trabalhei durante 30 anos, qual era o seu negócio. Ele não disse que eram instrumentos de precisão de alta tecnologia, respondeu: "Desenvolver líderes."
Preocupava-se com os jovens e passava muito tempo a descobrir quais os seus pontos fortes, para lhes atribuir funções onde essas capacidades pudessem produzir resultados, em trabalhos desafiantes onde pudessem aprender e desenvolver-se. Induzia neles o sentido de que esperava que todos os jovens fizessem da sua vida pessoal e profissional uma aprendizagem contínua de si próprios. Registava as suas expectativas e alguns meses depois dava-lhes feedback dos resultados entretanto alcançados.
Indagava sempre: "Onde é que esta pessoa pertence?" E atribuía-lhes enormes responsabilidades. Em meados dos anos 60, quando essa empresa era de média dimensão, escolheu um indivíduo para comandar os negócios na Europa. Ele dera provas no domínio técnico, mas não falava uma palavra de outra língua que não o japonês. A mim parecia-me um enorme risco nomear essa pessoa, mas ele respondeu: "Não estou a arriscar, estou a pô-la onde ela pertence." Ele estava certo. Em poucos anos a Europa tornou-se a origem de 40% das vendas da empresa (superior às vendas no mercado doméstico, o japonês), no valor de 180 milhões de contos. Hoje é o presidente executivo responsável pela região europeia.
Costumava enfatizar que a responsabilidade última era dele, enquanto presidente executivo, e que dela não podia abdicar. Se as coisas corriam bem deixava as pessoas ficarem com os méritos, mas se corriam mal chamava a si a responsabilidade. Em crise não há liderança partilhada: se o barco se está a afundar o capitão não pode convocar uma reunião, tem de dar ordens. Um dos maiores segredos da liderança partilhada é saber quando ser o chefe e quando ser o parceiro.
Não há nada de novo nestes princípios, que encontrará em Aristóteles. Mas por que razão não se encontram mais exemplos destes? Penso que por dois motivos principais. O primeiro é que os gestores de topo receiam perder o poder, querem dominar. Mas os verdadeiros líderes não receiam a força. O outro obstáculo básico é o receio da diferença. Querem pessoas à sua semelhança, esquecendo-se de que só a mediocridade é uniforme. Temos de tolerar e até de cultivar a diversidade.
Isto é cada vez mais relevante, numa altura em que muitas pessoas sabem mais do que o chefe. Este deve aprender a construir uma equipa em que os especialistas tomem a liderança nas áreas em que dominam com superioridade.
Os líderes têm de aprender a lidar com essa realidade e com o facto de trabalharem com pessoas que não controlam (pares, parceiros), a quem não podem dar ordens - só se pode fazer uma equipa de liderança. Tudo isto parece óbvio, mas não é simples. Exige muito, mas, em contrapartida, dá muitas recompensas.

Peter Drucker é considerado o pai da gestão. Entre as suas inúmeras obras contam-se As Fronteiras da Gestão e Gerindo para o Futuro.


Ken Blanchard
"Como num jogo de futebol, o líder deve entusiasmar a equipa, aplaudir os seus progressos em direcção à baliza, incentivando-os a marcar golo. Mas sem pontuações não há jogo. O entusiasmo é igual à missão vezes a remuneração e o reconhecimento."
Como criar uma força especial na sua empresa. Todos conhecemos empresas em que há patos: "Não sou o responsável, quá quá, não sou eu que faço as regras, quá quá, se quiser fale com o supervisor, quá quá." Para acabar com este tipo de actuação tem de criar entusiasmo nas pessoas, tem de focar a sua energia, de criar "Gung Ho" (Gung Ho, o título do mais recente livro de Ken Blanchard, é uma expressão chinesa associada aos conceitos de motivação, colaboração e interajuda. Nos Estados Unidos é vulgar a sua utilização com um significado semelhante à expressão "go for it", força).
Gung Ho é a história de uma gestora que faz o turnaround de uma fábrica com base nos ensinamentos de um índio. Os seus segredos, aprendidos na observação da Natureza, são três:
• O espírito do esquilo. O espírito do esquilo foca a energia das pessoas, dá uma visão. O esquilo trabalha arduamente porque considera que o seu trabalho vale a pena. Isso acontece por três razões:

- Reconhecer que está a tornar as organizações melhores. É o sentido de que o seu trabalho faz a diferença. Numa empresa havia um grande turnover de recepcionistas. Isso mudou quando ganharam a noção de que o seu trabalho era fundamental e passaram a chamar-se "directores de primeira impressão";
- Todos trabalham para um objectivo comum. Os valores orientam todas as decisões, planos e acções. Os valores que a Disney incute em todos quantos entram para a empresa são a segurança, a cortesia, o espectáculo e a auto-suficiência;
- Os valores orientam todas as decisões, planos e acções. Eles inspiram a tomar as decisões acertadas. Por vezes podem registar-se conflitos de valores. Se no parque de diversões um empregado está a atender um cliente, mas surge subitamente um problema de segurança, deve simpaticamente acorrer ao valor mais elevado, a segurança;

• O método do castor. O castor controla as suas acções até atingir o objectivo. O seu segredo é: as pessoas é que mandam no seu trabalho. Para isso é necessário:

- Um campo de acção com limites claramente definidos. As pessoas fazem tudo o que se encontra na zona delimitada pela missão, valores e objectivos da empresa essas as fronteiras;
- Respeitar, ouvir e levar em consideração os pensamentos, sentimentos, necessidades e sonhos. Quando os empregados estão envolvidos fazem uma diferença e são respeitados pela sua competência. Os bons líderes não os receiam, ouvem-nos;
- Ser competente mas ousado. A melhor forma de desenvolver líderes é dar-lhes uma forma de reforçar os seus pontos fortes. Se necessário, deve dar formação. Muitas vezes atribuem-se poderes às pessoas (empowerment) sem que elas saibam o que fazer com esse poder e, por isso, cometem erros. O modelo de liderança situacional (desenvolvido por Ken Blanchard e Paul Hersey) - que atribui um tipo de liderança diferente consoante o estádio de desenvolvimento do liderado - permitir-lhe-á desenvolver as pessoas até se tornarem vencedoras. Nesta fase, elas podem, querem e devem ter controlo sobre o seu trabalho;

• O talento do ganso. Os gansos voam em grupo. Quando o líder está cansado junta-se ao grupo e outro toma a liderança do voo. É uma liderança partilhada. Por outro lado, quando estão juntos fazem grande algazarra, como se estivessem a congratular-se. Esse é o principal dom do ganso, a felicitação. Para implantar esse dom na empresa tem de:

- Fazer felicitações verdadeiras. As felicitações podem ser directas (um elogio) ou indirectas (quando o líder lhe entrega um trabalho mais importante e o deixa fazer sem intervir, por exemplo). Qualquer que seja a forma que assumam, elas têm é de ser verdadeiras, feitas no momento, isto é, em resposta a algo que se fez, e incondicionais, ou seja, não dependentes de se a pessoa faz outra coisa diferente;
- Comemorar os progressos. Como num jogo de futebol, há que entusiasmar a equipa, incentivá-la, aplaudir os progressos e não só os golos. Mas sem pontuações não há jogo. O entusiasmo é igual à missão vezes a remuneração e o reconhecimento. O elogio não e a única forma de reconhecimento. O dinheiro é também importante.

Ken Blanchard é presidente da Blanchard Training and Development, Inc., e mundialmente conhecido pelos cinco livros da colecção "One Minute Manager" e pelo modelo de liderança situacional, inicialmente desenvolvido em parceria com Paul Hersey.


Peter Senge
"Peter Drucker diz que liderança é visão. É mais do que isso. É a tensão criada pelo fosso entre a situação presente e o sonho. Como toda a tensão procura resolução, ela é fonte de energia que leva à criação de algo que não existia. E é isso que fazem os líderes"
Liderança não é visão, é mais do que isso. Hoje os gestores de topo das empresas controlam menos o que se passa na organização do que os seus antecessores. Ora, todo o sistema tem um controle. O meu corpo, enquanto sistema, tem um. Se eu cortar o meu dedo e essa mensagem tivesse de passar por 14 comités até chegar ao cérebro, que depois decidia o que fazer e retomaria um percurso similar de descida, eu sangraria até à morte. Hoje as empresas fazem esforços de descentralização porque quando os sistemas se refinam é isso que acontece. Mas, quando as dificuldades surgem, o poder é sugado pelo topo.
Em todos os níveis da sociedade há situações em que a hierarquia é manifesta e obrigatoriamente inadequada. Não vamos resolver as desigualdades sociais com mais impostos; nem vamos transformar a sociedade só com os esforços do CEO. Porque a Segurança Social, como as empresas, são sistémicas. Não há uma só causa nem ela é simples de resolver.
Para permitir que as organizações pudessem aprender umas com as outras e, assim, produzir mudanças sistémicas profundas lançámos a Society for Organizational Learning. Tudo o que aprendemos nestes anos pode resumir-se a uma nova consciência acerca da liderança colectiva.
O mito de que o líder é o que está no topo da hierarquia está tão enraizado na sociedade que se torna difícil imaginar que assim não seja. As pessoas referem-se a gestor ou a líder como se fossem sinónimos. Mas não o são. Se, como acredito, estamos a passar por um repensar das ideias básicas da gestão, as organizações têm de regressar às perguntas fundamentais. A primeira é o que é a liderança.
A razão por que a liderança é tão fulcral para a humanidade é porque é o fenómeno pelo qual se criam o futuro e novas realidades. Liderança é fazer algo que nunca fizemos para criar algo que não existia.
Quando conheci Peter Drucker, há cerca de 15 anos, ele disse que liderança é visão. A visão é uma das pedras angulares da liderança, é a forma como nos orientamos para a "cristalização do nosso sonho", como disse Pablo Picasso. É o retrato do rumo que queremos tornar realidade, definição que não se resume ao mundo da gestão; é o que todos os seres humanos fazem.
Discordo de Peter Drucker quando diz que liderança é visão. É mais do que isso. Tal como Sócrates sentiu necessidade de criar uma tensão na mente para que a verdade emergisse, também na organização temos de criar uma tensão. Martin Luther King, que todos conhecem como um homem com uma visão, passou a maior parte do seu tempo a fazer algo mais do que articular o seu sonho: a dramatizar a situação presente para que as pessoas vejam o que é (a realidade). Isso cria uma tensão na mente do homem, uma distância entre o que é e o seu sonho, fosso que é o coração da liderança.
Toda a tensão procura resolução e só há duas alternativas: quando a visão é elevada, a tensão pode levar a redefinir mais modestamente a visão, para não se ser naïf, ou manter a visão e mudar a realidade. Esta tensão é uma fonte de energia, que leva à criação de algo que não existia.
Para se ser um líder efectivo é necessário conhecer a realidade do que se passa na organização, não ser prisioneiro da distorção da informação. Mas o que dizemos tem pouco a ver com o que as pessoas percebem porque em 99% dos casos intervém a pré-concepção.
Na Shell comecei a perceber o significado dos modelos mentais. Muitos operam pelo que os psicólogos chamam "realismo naïf": vêem o que é, as coisas como elas realmente são. Mas a maioria interage com a realidade tendo as suas pré-concepções como base. Em 1971, depois de analisarem as mudanças políticas, económicas e sociais dos países produtores de petróleo, os responsáveis pelo planeamento da Shell tinham um cenário de que algo poderia mudar. Dois anos antes, anteviram a criação da OPEP, o que é uma vantagem competitiva. Passaram um ano e meio a tentar convencer dessa eventualidade os gestores de topo das empresas Shell espalhadas pelo mundo. O efeito que tiveram foi nulo, como "água em pedra". Essa pedra são os modelos mentais. O mundo que descreviam era tão bizarro que os gestores não podiam acreditar. O seu modelo mental não o permitia.
Se hoje as pessoas tomam decisões em toda a organização, o presidente executivo deixa de lá estar para planear, organizar e controlar. O seu papel é, distribuindo poder e autoridade, focar-se na melhoria da qualidade de pensamento, numa forma de levar as pessoas a melhorarem aquilo que vêem. Quando as organizações se reinventarem serão capazes de ter líderes em todos os níveis da organização e gestor deixará de ser sinónimo de líder. E isto é importante para a aceleração da aprendizagem organizacional.

Peter Senge é director do Center for Organizational Learning na Sloan School of Management, do MIT, e autor do best-seller The Fifth Discipline: The Art and Practice of the Learning Organization e co-autor de The Fifth Discipline Fieldbook.

Tom Peters
"American Airlines passasse a servir apenas uma azeitona nos martinis, em vez de duas. Com isso poupou-se cerca de 40 000 euros, o que não são trocos. O problema das melhorias graduais é que o caminho para a revolução não se encontra comendo azeitonas"
Ninguém sabe nada . Eu não tenho uma teoria do Universo, não confio em ninguém que tenha uma teoria do Universo, nem respeito ninguém que tenha uma teoria do Universo. O mundo está a ser completamente reinventado. Por pura coincidência, as pessoas que estão nesta sala (presidentes de empresas norte-americanas) têm uma responsabilidade fenomenal. Não é uma audiência nova e, para pôr o assunto de uma forma ligeira, vocês não estão preparados. Eu, Tom Peters, tenho 54 anos. Sou como um monge a trabalhar nas minhas iluminuras quando um jovem segreda ao meu ouvido que Gutemberg tem uma alternativa melhor. Pensei muito acerca do tema do meu discurso e decidi-me por "Ninguém sabe nada".
Há cerca de cinco meses estive em Orlando a falar para uma das 15 mil associações de comércio americanas e, em teoria, a que tem mais receitas dentro das suas quatro paredes, a Associação Internacional de Grandes Superfícies. Na fila da frente estavam uma dezena de pessoas que eu conhecia e dei-lhes os meus parabéns porque nos passados 15 anos reinventaram literalmente o mundo. Podem adorar a Wal-Mart, podem odiar a Wal-Mart, não faz muita diferença. Todas as lojas fazem o que a Wal-Mart começa a fazer. Depois fiz uma pergunta dirigida aos crédulos: pensam que nos próximos 15 anos o mundo vai ser mais suave do que nos 15 anos passados? Esta é, obviamente, uma pergunta estúpida. Olhei fixamente para o presidente da Wal-Mart e perguntei: então digam-me por que é que pensam que as vossas empresas ainda estarão aqui dentro de 15 anos. Claro que é um exagero. Existem apenas dois requisitos para qualquer empresa sobreviver hoje: uma agilidade fenomenal e uma falta de arrogância chocante.
Há algum tempo Nicholas Negroponte, do MIT, disse que as melhorias graduais são o pior inimigo da inovação. Penso que vi esta frase há seis ou sete meses e, honestamente, ela tem-me impedido de dormir descansado. A maioria de vocês tem provavelmente estado a brincar com a ideia japonesa de Kaisen (melhoria contínua), que torna todas as pessoas responsáveis por fazer tudo melhor do que ontem. É uma boa ideia. A única parvoíce é que surgiu como uma nova ideia há 20 anos. A única interpretação possível que vejo para esta frase de Negroponte é que, se se está a passar 85% do tempo a tentar fazer as coisas melhor do que se fez ontem, então não se está a passar 85% do tempo a criar coisas novas. É pior do que isso, porque o programa mental da pessoa que faz melhorias, o seu estado emocional, é antagónico ao estado emocional do destruidor.
Li que na American Airlines alguém sugeriu que se reduzissem as azeitonas servidas nos martinis de duas para uma poupariam cerca de 40 000 euros, o que, mesmo para esta empresa, não são trocos. O problema é que o caminho para a revolução não se encontra comendo azeitonas.
O que é que se faz quando se é uma grande empresa zonza e sem ideias? Faz uma fusão com outra grande empresa zonza e sem ideias para juntas irem a lado nenhum. Foi o que agora fizeram as consultoras que consideraram que serem seis (conhecidas como as Big Six) era um número demasiado grande. As Intels do mundo cresceram de dentro. Não é assim tão difícil dividir uma grande empresa em pequenas empresas. A AT&T, a Kodak, a Sears, a PepsiCo, a General Motors ou a Monsanto, entre outras, fizeram-no.
Não advogo que "small is beautiful", que se pode ter uma empresa a competir no mercado global a partir de uma garagem em Palo Alto, California. O que pretendo frisar é que não há uma organização gigante que seja flexível. A Wal-Mart é gigante, mas é apenas um pouco mais flexível do que as antecessoras. O que digo não é politicamente correcto, mas não me ralo nem um bocadinho.
Não sou também adversário das aquisições. Nos últimos dois anos a Microsoft comprou 47 empresas, no valor total de 1,35 milhões de euros. Esta é uma ideia brilhante, porque o que a Microsoft está a comprar são ideias e talento, não quota de mercado. Mas como disse Dee Hock, "o problema não é ter ideias inovadoras, é como derrubar as antigas". A inovação é a capacidade estratégica e organizada de esquecer, É isso que as empresas americanas construtoras de automóveis não conseguem fazer, são incapazes de esquecer a ideia de que os Americanos compram carros grandes. O problema com as aquisições é que a pior e a maior empresa é quem acaba por influenciar a mais pequena e melhor, nunca é o inverso.
A qualidade é o preço de entrada num mercado, não é nenhuma vantagem competitiva. Com os produtos cada vez mais iguais, há que lutar contra a sua transformação em meras mercadorias. Robert Hayes considera: "Há 15 anos competia-se com base no preço, hoje é pela qualidade e no futuro será pelo design." A Nike, de Phil Night, sabe bem isso, empregando 350 designers, mais do que qualquer fabricante automóvel.
Charles Handy prevê que as empresas no futuro serão organizadoras, não empregadoras. Os estrategos da organização não sabem o que é uma organização, porque as pessoas que estão a inventar as empresas são os jovens. Warren Bennis considera que os grandes grupos adoram o talento e sabem onde encontrá-lo. Fiquei fascinado por ele usar a palavra "talento", em vez de "empregado". Bernard Arnault, o executivo principal do império de luxo MHLV, só está interessado nos jovens talentos.
Lewis Platt, da Hewlett-Packard, avisa que "o que quer que o fez ter sucesso no passado não o fará ter sucesso no futuro". Ele não podia estar mais correcto.
(Executive Digest, Edição 37, Nov 1997)

Tom Peters, ex-consultor da McKinsey e co-autor de Na Senda da Excelência e Em Busca do UAU!

A AMIZADE E A VIDA....QUE SÃO REALMENTE?

AMIZADE

Mais que uma mão estendida

mais que um belo sorriso

mais do que a alegria de dividir

mais do que sonhar os mesmos sonhos

ou doer as mesmas dores

muito mais do que o silêncio que fala

ou da voz que cala, para ouvir

é, a amizade, o alimento

que nos sacia a alma

e nos é ofertado por alguém

que crê em nós.

Nada mais importante que uma bela e verdadeira amizade.

Que es la vida? Calderon de la Barca.


Um frenesi.
Que es la vida?
Una ilusion.
Una sombra.
Una ficcion.

E lo major bien es pequeño.
Que toda la vida es suenho.
E lo suenho, suenho, suenho.

O QUE PODEMOS APRENDER COM OS GANSOS

É DE ALEXANDRE RANGEL , SÃO 2 VOLUMES E EM AMBOS ELE NOS COLOVA VARIAS PEQUENAS HISTORIAS PARA ILUSTRAR SUAS EXPLICAÇÕES SOBRE MUITOS ASSUNTOS DE INTERESSE DO HOMEM. RECOMENDADÍSSIMO POR SUA LINGUAGEM SIMPLES E DIRETA.

QUEBRAR PARADIGMAS

Um líder precisa não só aceitar as mudanças, mas ser o primeiro a estimular as pessoas a promovê-las. Efetivar mudanças significa quebrar paradigmas.
Existem muitas histórias exemplificando situações em que certos paradigmas foram quebrados, mas a mais antiga delas está narrada na Bíblia e versa sobre a aventura do primeiro casal humano no Paraíso e o papel da serpente na mudança de rumo de suas vidas e, por tabela, no destino da humanidade.
Segundo essa história, um homem e uma mulher estão no jardim do Éden, gozando todas as delícias que possamos imaginar. Só existe uma única proibição: eles não podem comer o fruto da "árvore do conhecimento do bem e do mal".
Até então, o homem e a mulher viviam numa situação paradisíaca e possuíam dons sobrenaturais. Para se manter nesse estado, podiam comer da "árvore da vida", mas não da "árvore do conhecimento do bem e do mal".
Eis que surge a serpente, induz a mulher a provar do fruto proibido e a dá-lo como alimento ao seu companheiro. A mulher, tentada pela serpente, não resistiu e provou do fruto da "árvore do conhecimento". Assim também o fez seu companheiro, por ela induzido.
8

Do ponto de vista religioso, o casal cometeu um sério pecado quando provaram tal fruto. Tanto assim que foram expulsos do Paraíso.
Uma outra interpretação para essa história poderia ser a da ousadia, a da queda de um paradigma. Se eles não houvessem transgredido a ordem, teriam permanecido onde estavam, sem conhecer o bem e o mal. Todas as coisas que foram criadas teriam continuado do mesmo jeito que estavam depois de haverem sido criadas... E não teriam tido filhos; portanto, teriam permanecido num estado de inocência, não sentindo alegria por não conhecerem a miséria, não fazendo o bem por não conhecerem o mal.
A quebra de paradigmas pode nos levar a caminhos nunca antes imaginados para ampliar nossos conhecimentos e, conseqüentemente, o nosso crescimento.
Na empresa é necessário que alguém ouse questionar a forma de se fazer as coisas em busca de novos modelos de trabalho, novos procedimentos e políticas mais adequadas.
Somente quando conseguimos quebrar paradigmas, enxergamos novos caminhos e novas formas de solução.
Mas será que é tão simples assim quebrar paradigmas?
EXTRAIDO DO LIVRO "O QUE PODEMOS APRENDER COM OS GANSOS 2"

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Alimentos que dão vida

Dietética chinesa e nutraceuticos: obeservação e pesquisa

Por Eduardo Aragão

As pesquisas em torno do novo conceito de nutrição, segundo o qual é delegado aos alimentos a contribuição para a melhora na saúde das pessoas, vêm tomando dimensões cada vez maiores. Se antes a ciência dos alimentos dava-se por satisfeita em apontar este ou aquele alimento por trazer danos ou benefícios à saúde, agora os estudos mostram-se bem mais avançados, já que, mais do que nutrir, alguns alimentos podem agir não só na prevenção, mas também no tratamento de doenças.
Do assunto, decorre a confusão feita entre dietética chinesa e nutraceuticos. Embora o estopim dos estudos da comunidade científica sobre o assunto tenha se dado apenas recentemente, os chineses vêm catalogando os alimentos há pelo menos 4000 anos.
Especialista em dietética chinesa, Dr. João Curvo explica que a diferença básica entre uma especialidade e outra se dá através da metodologia utilizada, sendo a dietética guiada pela percepção. "Há milênios os sábios que observavam a natureza concluíam pelo que viam e percebiam. Hoje utilizamos, por exemplo, fórmulas complexas em avaliações antropométricas para responder se uma pessoa é gorda ou magra. Desprezamos o que vemos e podemos palpar", explica.
Pela dietética chinesa, dependendo da cor e do sabor, o alimento poderá ter uma função diferenciada na prevenção de doenças. Ao comer alimentos dos cinco grupos de cores (verde, amarelo, vermelho, branco e escuro) e dos cinco sabores (ácido, amargo, doce, picante e salgado) mantém-se as condições para um equilíbrio que afaste o risco que um indivíduo tem de adoecer. "A dietética energética surgiu da escuta dos alimentos. Sabores, naturezas e cores dos alimentos, bem como suas direções a órgãos ou meridianos eram observados na hora da prescrição", observa Dr. João.
Na outra ponta encontram-se os nutraceuticos ou alimentos funcionais, que se baseiam nos princípios ativos isolados dos alimentos. A nutricionista Dra. Luciana Ayer esclarece que a função terapêutica contida nas substâncias de determinados alimentos são observados a partir de estudos dos hábitos da população. "A partir dos estudos epidemiológicos, podemos constatar, por exemplo, o porquê da baixa incidência de câncer de mama na mulheres orientais. Descobriu-se que era devido à soja consumida desde cedo por elas", exemplifica.
Há, porém, mais convergências do que se supõe. A dietoterapia chinesa e a nutrologia atual indicam na anemia, por exemplo, os mesmos alimentos (carnes, feijões, folhas verdes escuras, etc.), baseados em princípios diferentes. Dra. Luciana Ayer diz que as próprias cores muito valorizadas pela Dietética Chinesa nada mais são do que uma variedade de nutraceuticos presentes nos alimentos que conferem tais cores. "Pigmentos tipo carotenóides, o vermelho do tomate, da melancia e da goiaba (licopeno), o laranja da cenoura (betacaroteno) são alguns exemplos", afirma. A arnica e a espinheira santa são utilizadas há séculos - respectivamente como antiiflamatório e na cura de gastrites e úlceras, mas só ganharam o aval científico com evidencias de seus princípios ativos e ação orgânica

A IMPORTÂNCIA DAS FRUSTRAÇÕES (FRACASSOS E DECEPÇÕES) NA FORMAÇÃO DA

Privar a qualquer preço, a criança do desprazer durante o 1.o ano de vida é
para os modernos puericultores tão nocivo quanto privá-la do afeto. Os dois
cooperam para a formação do equilíbrio psíquico. A ausência ou não da
atuação de um desses sentimentos o leva a um desequilibrio, com a
predominância indesejável de um desses pólos da vida humana, o sucesso ou o
fracasso. Este ponto de vista é observado pelos que não concordam com a
permissividade absoluta para a criança, não a contrariando em hipótese
alguma, fazendo ou deixando todas as suas vontades. Não devemos negar que as
frustrações são impostas pela própria natureza e auxiliam o desenvolvimento
da personalidade para se adaptar e vencer as dificuldades que a vida vai
progressivamente impondo.
Podemos catalogar as seguintes frustrações que são impostas no l.o ano pela
vida e para as quais os pais não podcm evitá- as.
1.o - a asfixia do nascimento, que obriga a mudança da circulação fetal para
a respiração normal;
2.o - frustrações repetidas contínuas de sensação de fome sede e cólicas dos
3 primeiros meses;
3.o - o desmame que obrigará a criança a se separar da mãe ou da mamadeira;
4.o - o de provar um alimento que não agrada ao seu paladar, ou tomar um
remédio que detesta;
5.o - as tentativas de procurar e alcançar um objeto, o que nem sempre
conseguem;
6.o - tentativas de pôr-se de pé;
7.o - quando no colo com tentativas de pular, de impulsos desejando ir a um
lugar, mudar de quarto e não conseguir, porque e o adulto não entendeu. Ele
desiste sem sofrimento, mas frustrado;
8.o - tentativas de andar só e cair• 9.o - sensação desagradáveÌ da erupção
dentária; 10.o - a presença de estranhos com a ausência das pessoas
queridas.
A importância das frustrações
As frustrações inevitáveis, progressivas e repetidas acabam funcionando como
verdadeiras vacinações psíquicas, fazendo com que a criança as suporte
melhor no futuro. As vezes as frustrações são impostas pelos pais, e as
outras frustrações são devidas às iniciativas mal sucedidas desempenhadas
pela própria criança. Os grandes caminhos da sabedoria são cinco, os quais
no decorrer da vida vão experimentando:
1.o) Observando.
2.o) Pegando.
3.o) Cheirando.
4.o) Provando. -
5.o) Sofrendo
Existe um provérbio chinês que diz "O que eu ouço, eu esqueço. O que leio eu
me lembro, o que eu faço eu sei." As manifestações de desprazer e de afeto
vão se revelando no correr da infância. Assim no 3.o mês a criança manifesta
seu desprazer, quando uma pessoa que lhe fazia companhia se retira. Ao 6.o
mês o desprazer se manifesta ao ser tirado um brinquedo. No 7.o mês o bebê
não responde sistematicamente com um sorriso quando agradado ou suavemente
provocado. agora ele faz distinção entre conhecidos e estranhos. Ele
abaixará os olhos, fará beicinho,esconderá o rosto com as próprias mãos ou
com o lençol e irá chorar. Ao redor do 8.o mês de vida as respostas de
prazer e desprazer vão se tornando mais claras e se estendendo a um número
maior de provocações, medidas corretivas ou proibitivas, presença inevitável
de pessoas estranhas, medidas terapéuticas.
As medidas restritivas ou desagradáveis levam o bebê nessa idade a um estado
de ansiedade, aflição que os psicólogos denominam de angústia do 8.o mês. As
manifestações expressivas de prazer ou desprazer vão se transformando aos
poucos em um código de comunicações. O bebê provoca os familiares para que o
aliviem de alguma coisa que o incomoda, e também para que lhe ofereçam
alguma coisa que deseja, o sorriso do terceiro mês é substituido pela
angústia do 8.o mês.
O que deve ficar claro para os educadores (pais em geral) é que as
frustrações a que o bebê é submetido, não devem ser vistas tão sómente como
um problema que deve ser afastado a qualquer custo, e sim como uma etapa
evolutiva que moldará sua psique, fazendo-o aprender a lidar com suas
futuras (e inexoráveis) decepções.
Dr. Jaime Castilho Pinheiro Filho
--

A IMPORTÂNCIA DAS FRUSTRAÇÕES (FRACASSOS E DECEPÇÕES) NA FORMAÇÃO DA
PERSONALIDADE DA CRIANÇA.
Privar a qualquer preço, a criança do desprazer durante o 1.o ano de vida é
para os modernos puericultores tão nocivo quanto privá-la do afeto. Os dois
cooperam para a formação do equilíbrio psíquico. A ausência ou não da
atuação de um desses sentimentos o leva a um desequilibrio, com a
predominância indesejável de um desses pólos da vida humana, o sucesso ou o
fracasso. Este ponto de vista é observado pelos que não concordam com a
permissividade absoluta para a criança, não a contrariando em hipótese
alguma, fazendo ou deixando todas as suas vontades. Não devemos negar que as
frustrações são impostas pela própria natureza e auxiliam o desenvolvimento
da personalidade para se adaptar e vencer as dificuldades que a vida vai
progressivamente impondo.
Podemos catalogar as seguintes frustrações que são impostas no l.o ano pela
vida e para as quais os pais não podcm evitá- as.
1.o - a asfixia do nascimento, que obriga a mudança da circulação fetal para
a respiração normal;
2.o - frustrações repetidas contínuas de sensação de fome sede e cólicas dos
3 primeiros meses;
3.o - o desmame que obrigará a criança a se separar da mãe ou da mamadeira;
4.o - o de provar um alimento que não agrada ao seu paladar, ou tomar um
remédio que detesta;
5.o - as tentativas de procurar e alcançar um objeto, o que nem sempre
conseguem;
6.o - tentativas de pôr-se de pé;
7.o - quando no colo com tentativas de pular, de impulsos desejando ir a um
lugar, mudar de quarto e não conseguir, porque e o adulto não entendeu. Ele
desiste sem sofrimento, mas frustrado;
8.o - tentativas de andar só e cair• 9.o - sensação desagradáveÌ da erupção
dentária; 10.o - a presença de estranhos com a ausência das pessoas
queridas.
A importância das frustrações
As frustrações inevitáveis, progressivas e repetidas acabam funcionando como
verdadeiras vacinações psíquicas, fazendo com que a criança as suporte
melhor no futuro. As vezes as frustrações são impostas pelos pais, e as
outras frustrações são devidas às iniciativas mal sucedidas desempenhadas
pela própria criança. Os grandes caminhos da sabedoria são cinco, os quais
no decorrer da vida vão experimentando:
1.o) Observando.
2.o) Pegando.
3.o) Cheirando.
4.o) Provando. -
5.o) Sofrendo
Existe um provérbio chinês que diz "O que eu ouço, eu esqueço. O que leio eu
me lembro, o que eu faço eu sei." As manifestações de desprazer e de afeto
vão se revelando no correr da infância. Assim no 3.o mês a criança manifesta
seu desprazer, quando uma pessoa que lhe fazia companhia se retira. Ao 6.o
mês o desprazer se manifesta ao ser tirado um brinquedo. No 7.o mês o bebê
não responde sistematicamente com um sorriso quando agradado ou suavemente
provocado. agora ele faz distinção entre conhecidos e estranhos. Ele
abaixará os olhos, fará beicinho,esconderá o rosto com as próprias mãos ou
com o lençol e irá chorar. Ao redor do 8.o mês de vida as respostas de
prazer e desprazer vão se tornando mais claras e se estendendo a um número
maior de provocações, medidas corretivas ou proibitivas, presença inevitável
de pessoas estranhas, medidas terapéuticas.
As medidas restritivas ou desagradáveis levam o bebê nessa idade a um estado
de ansiedade, aflição que os psicólogos denominam de angústia do 8.o mês. As
manifestações expressivas de prazer ou desprazer vão se transformando aos
poucos em um código de comunicações. O bebê provoca os familiares para que o
aliviem de alguma coisa que o incomoda, e também para que lhe ofereçam
alguma coisa que deseja, o sorriso do terceiro mês é substituido pela
angústia do 8.o mês.
O que deve ficar claro para os educadores (pais em geral) é que as
frustrações a que o bebê é submetido, não devem ser vistas tão sómente como
um problema que deve ser afastado a qualquer custo, e sim como uma etapa
evolutiva que moldará sua psique, fazendo-o aprender a lidar com suas
futuras (e inexoráveis) decepções.
Dr. Jaime Castilho Pinheiro Filho
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A IMPORTÂNCIA DAS FRUSTRAÇÕES (FRACASSOS E DECEPÇÕES) NA FORMAÇÃO DA
PERSONALIDADE DA CRIANÇA.
Privar a qualquer preço, a criança do desprazer durante o 1.o ano de vida é
para os modernos puericultores tão nocivo quanto privá-la do afeto. Os dois
cooperam para a formação do equilíbrio psíquico. A ausência ou não da
atuação de um desses sentimentos o leva a um desequilibrio, com a
predominância indesejável de um desses pólos da vida humana, o sucesso ou o
fracasso. Este ponto de vista é observado pelos que não concordam com a
permissividade absoluta para a criança, não a contrariando em hipótese
alguma, fazendo ou deixando todas as suas vontades. Não devemos negar que as
frustrações são impostas pela própria natureza e auxiliam o desenvolvimento
da personalidade para se adaptar e vencer as dificuldades que a vida vai
progressivamente impondo.
Podemos catalogar as seguintes frustrações que são impostas no l.o ano pela
vida e para as quais os pais não podcm evitá- as.
1.o - a asfixia do nascimento, que obriga a mudança da circulação fetal para
a respiração normal;
2.o - frustrações repetidas contínuas de sensação de fome sede e cólicas dos
3 primeiros meses;
3.o - o desmame que obrigará a criança a se separar da mãe ou da mamadeira;
4.o - o de provar um alimento que não agrada ao seu paladar, ou tomar um
remédio que detesta;
5.o - as tentativas de procurar e alcançar um objeto, o que nem sempre
conseguem;
6.o - tentativas de pôr-se de pé;
7.o - quando no colo com tentativas de pular, de impulsos desejando ir a um
lugar, mudar de quarto e não conseguir, porque e o adulto não entendeu. Ele
desiste sem sofrimento, mas frustrado;
8.o - tentativas de andar só e cair• 9.o - sensação desagradáveÌ da erupção
dentária; 10.o - a presença de estranhos com a ausência das pessoas
queridas.
A importância das frustrações
As frustrações inevitáveis, progressivas e repetidas acabam funcionando como
verdadeiras vacinações psíquicas, fazendo com que a criança as suporte
melhor no futuro. As vezes as frustrações são impostas pelos pais, e as
outras frustrações são devidas às iniciativas mal sucedidas desempenhadas
pela própria criança. Os grandes caminhos da sabedoria são cinco, os quais
no decorrer da vida vão experimentando:
1.o) Observando.
2.o) Pegando.
3.o) Cheirando.
4.o) Provando. -
5.o) Sofrendo
Existe um provérbio chinês que diz "O que eu ouço, eu esqueço. O que leio eu
me lembro, o que eu faço eu sei." As manifestações de desprazer e de afeto
vão se revelando no correr da infância. Assim no 3.o mês a criança manifesta
seu desprazer, quando uma pessoa que lhe fazia companhia se retira. Ao 6.o
mês o desprazer se manifesta ao ser tirado um brinquedo. No 7.o mês o bebê
não responde sistematicamente com um sorriso quando agradado ou suavemente
provocado. agora ele faz distinção entre conhecidos e estranhos. Ele
abaixará os olhos, fará beicinho,esconderá o rosto com as próprias mãos ou
com o lençol e irá chorar. Ao redor do 8.o mês de vida as respostas de
prazer e desprazer vão se tornando mais claras e se estendendo a um número
maior de provocações, medidas corretivas ou proibitivas, presença inevitável
de pessoas estranhas, medidas terapéuticas.
As medidas restritivas ou desagradáveis levam o bebê nessa idade a um estado
de ansiedade, aflição que os psicólogos denominam de angústia do 8.o mês. As
manifestações expressivas de prazer ou desprazer vão se transformando aos
poucos em um código de comunicações. O bebê provoca os familiares para que o
aliviem de alguma coisa que o incomoda, e também para que lhe ofereçam
alguma coisa que deseja, o sorriso do terceiro mês é substituido pela
angústia do 8.o mês.
O que deve ficar claro para os educadores (pais em geral) é que as
frustrações a que o bebê é submetido, não devem ser vistas tão sómente como
um problema que deve ser afastado a qualquer custo, e sim como uma etapa
evolutiva que moldará sua psique, fazendo-o aprender a lidar com suas
futuras (e inexoráveis) decepções.
Dr. Jaime Castilho Pinheiro Filho
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AS DEZ DIMENSÕES DA CABALÁ

As 10 Dimensões da Cabalá
Baseado nos ensinamentos de Rav Meir
A Cabalá Contemplativa não é uma tradição meramente intelectual. Toda a literatura disponível sobre os mistérios da Cabalá não terá qualquer valor se este conhecimento não for aplicado em nossas vidas. O correto entendimento dos códigos presentes na Torá oferece todas as ferramentas espirituais que necessitamos para que nos tornemos melhores através do despertar de nossa consciência adâmica.
E o que pretendemos com isso? Num primeiro momento, todos têm em mente a possibilidade de mudar a realidade ao seu redor, não sendo uma coincidência que muitos busquem a espiritualidade exatamente quando a vida lhes parece menos generosa.
A grande questão, contudo, é que parte destas pessoas espera que, ao adotar um caminho espiritual, o seu sistema de valores permaneça alterado enquanto a Luz Espiritual promove uma limpeza em sua vida, corrigindo tudo o que está errado, o que não faz o menor sentido.
Tudo o que percebemos fora nada mais é do que um reflexo do que se passa dentro de cada um de nós e todos nós optamos, de forma consciente ou não, por viver em uma das 10 dimensões identificadas pela Cabalá.
Em qual dimensão você está vivendo?
A primeira delas (a mais baixa), é chamada de Estado de Gueinon ("inferno"): vive-se aqui totalmente no escuro e escravo da contra inteligência (a força de oposição à Luz). A angústia e o medo são constantes e não há perspectiva alguma de melhora.
A segunda dimensão também é usada pela contra inteligência, o Estado de Fome: sua principal característica é o puro desejo de receber para si mesmo e a sensação constante de insaciabilidade. A pessoa é escrava de suas próprias necessidades e a angústia de não ter (ou não ter o suficiente) é avassaladora.
O Estado da Reatividade é a terceira dimensão: aqui a pessoa resolve que as coisas vão mudar. É perigosa na medida em que existe uma medida certa, mas existe sempre o risco de se empolgar com os resultados e a pessoa julgar que a reatividade é a solução para todos os seus problemas.
A quarta dimensão é o Estado da Ira: esta é a dimensão da pessoa que se identifica como o "Homem de D-us". Ele está tão reativo que se torna insensível e duro, mas forte, o que é um problema. O "Homem de D-us" não precisa de ninguém lhe diga o que fazer; ele desconhece a humildade. Pode-se, aparentemente, até prosperar e se tornar espiritualmente poderoso, mas, ainda assim, estará apenas fazendo o jogo da contra inteligência.
A partir da quinta dimensão, a pessoa começa a entrar no caminho da Luz. O Estado da Tranqüilidade corresponde ao momento em que se consegue aquietar a mente e o coração, o que resulta na controle da ansiedade. O indivíduo encontra aqui o seu caminho, a sua missão. O risco de se sentir "confortável" é a comodidade e a estagnação, cuidado.
Na sexta dimensão é a que faz a Luz descer sobre o indivíduo, o Estado da Alegria: a Shechiná (Presença Divina) só se manifesta através da alegria. Tudo que é muito sério tende a pesar, a petrificar. Não devemos confundir, contudo, alegria com euforia. Podemos viver permanentemente num estado de alegria, mas a euforia é sempre passageira.
O Estado de Erudição é a sétima dimensão: a conciliação de sabedoria e entendimento sem perder a tranqüilidade e a alegria, pois é comum o erudito se fechar em seu próprio mundo.
O Estado da Absorção vai além da mente e do coração. Você absorve. É um estado de receptividade. Aqui se almeja o Estado de Tsadik.
O Estado de Tsadik é a nona dimensão: o iluminado vê justiça em tudo. Aqui a vida é totalmente clara e é possível se compreender a lógica do universo.
A última dimensão é o Estado de Mashiach: neste estágio a pessoa se sente responsável pela sustentação do universo. De fato, ela não mais vê diferença entre ela e o universo, e o menor de seus gestos afeta todo o resto. O Estado de Mashiach corresponde a estar fundido ao Eterno.
Qualquer pessoa deve almejar o Estado de Mashiach. Não se trata de algo reservado para "escolhidos". O despertar da consciência adâmica é o resgate da unidade original - a missão de todos os seres humanos. Não podemos esquecer nunca que todos nós e o Eterno somos Um e que esse é o grande sonho do Criador para a Sua Criação.
Emuná vebitachon!


Av - 5766

Conexão: Liberdade
Salmos: 97

Na Dúvida, Faça a Coisa Certa.
A porção da parashá desta semana nos fala da proteção dos justos. A Luz do Mundo Infinito assegura o alicerce dos tzadikim como nos ensina a Haftará desta semana:

"...eis que Eu farei o teu assoalho de esmeralda em vez de pedras e te fundarei sobre safiras"

Mas o que aproxima o justo da bênção do Mundo Infinito? Qual é o segredo da Luz Eterna dos tzadikim?

Tehilim 97:11 "Luz eterna foi semeada para os justos e alegria para os de coração puro."

Para os cabalistas, o segredo reside no poder espiritual da tzedacá.

A palavra tzedacá deriva da palavra hebraica "tzedec", que significa "integridade", "justiça", a "coisa certa a se fazer". Segundo a sabedoria espiritual, a Luz do Mundo Infinito permite que possam existir pobres e ricos para que os seres humanos exerçam o livre-arbítrio de inclinar-se em direção à justiça uns com os outros. Para a Cabalá, seu dinheiro, suas posses e tudo o que o seu ego considera ser seu, não lhe pertence realmente. A Cabalá nos indica que tudo o que se manifesta neste mundo, está marcado pela divisão estrutural da Árvore da Vida e suas 10 Sefirot. Dentre estas sefirot, 9 podem se manifestar por intermédio de um sentido cognitivo. mas keter jamais pode ser alcançada. A porção de keter na árvora da Vida deve ter em si a semelhança mais absoluta com a Luz do Mundo Infinito, ou seja, o Infinito Desejo de Compartilhar. Para que o seu dinheiro esteja em conformidade com a ordem da Árvore da Vida, é necessário que 1 parte das 10 partes de seu recebimento, esteja destinado ao desejo de compartilhar, Isso equivale ao dízimo (maaser) - 10%.

14:22 Paga o dízimo de todo o ganho de tuas sementes, que sai do campo...

Avraham nos ensina o dom do desejo de compartilhar. Por isso tinha sua tenda com quatro aberturas para as quatro direções do deserto, a fim de visualizar qualquer que passasse próximo ao seu caminho, para convidá-lo a receber sua hospitalidade. Segundo os cabalistas, da mesma forma, devemos estender a mão para quem se encontra em nosso caminho e sempre procurar ajudar nosso semelhante. Para os cabalistas é costume se ter um "pushke" (caixa de tzedacá) em casa, e a família é estimulada a dar tzedacá diariamente, especialmente antes das orações, e principalmente, antes de acender as velas de Shabat. Um antigo costume indica, que a cada mês em Rosh Chodesh (Lua Nova) o cabalista deve doar a quantia total depositada em seu pushke. A tzedacá deve, de preferência, ser dada de maneira anônima sem ninguém saber, a menos que você deseje dar um bom exemplo a alguém.

Para os sábios da Cabalá Contemplativa, a tzedacá aproxima nossa consciência do Olam HaBá. Quando praticamos tzedacá, o que menos importa é quanto estamos doando e sim a complexa operação gerada no ato deste compartilhar. Cada pessoa que faz da tzedacá uma atitude cotiadiana, ajuda a impregnar o mundo com a Luz do Mundo Infinito. Atos de tzedacá contribuem para a geração da energias luminosas ao redor do mundo e ajuda a promover estados de paz.

Mas quanto devemos compartilhar? A Torá nos ordena dar o décimo de nossa renda líquida. Aprendemos, que todo o que possuímos é um emprestimo da Luz do Mundo Infinito. Tanto a colheita, como a renda monetária de cada indivíduo é um presente da Luz. A Torá não quer que se esqueça disso e por isso instituiu que o décimo da colheita, ou da renda, fosse doada.

14:27 O Levi que está em tuas portas, não o abandonarás, pois ele não tem porção nem posse contigo.

Na época do deserto, todo o povo deveria dar o dízimo de sua colheita para a tribo de Levi, constituída pelos leviim e cohanim. Por que desta lei? A tribo de levi foi escolhida para ser a representante do povo perante a Luz do Mundo Infinito. Assim sendo, ao invés de possuir um pedaço de terra e nela trabalhar, a Tribo de Levi trabalhava no Tabernáculo, oferecendo os sacrifícios e demais tarefas, em nome do povo. O povo retribuía à tribo de Levi com o dízimo, e assim eles eram sustentados. A tribo de Levi é um código para definir a parte espiritual que existe em cada um de nós. Quando praticamos o desejo de compartilhar estamos "sustentando" essa porção e assim mantendo o contato com nossa neshamá (alma elevada) que representa o Tabernáculo em nossa alma.

Segundo a Cabalá, a prática do dízimo é benéfica para qualquer pessoa, independente de sua religião. Líderes de todas as religiões deveriam estimular a prática do desejo de compartilhar.

Além de tudo, tzedacá é uma mitzvá de cura para o corpo. A tzedacá representa o esforço "total" por parte do doador. Isto quer dizer que, enquanto as outras mitzvot são cumpridas como uma determinada parte do corpo - por exemplo: Tefilin são colocados no braço e na cabeça, o estudo da Torá requer concentração mental, etc. - tzedacá é uma contribuição feita com o corpo inteiro, pois requer o envolvimento total do indivíduo, tanto físico como mental pelo trabalho que leva a ganhar dinheiro.

Tzedacá em hebraico significa na realidade um ato de justiça. Dar tzedacá é algo que devemos fazer, não como um ato de bondade, as como um dever e obrigação, tal como pagar uma dívida (no caso, uma dívida espiritual). Tzedacá poderia ser muito bem traduzido como "fazer o que é certo".

Uma caixinha de tzedacá em sua casa ou trabalho, tem a propriedade de elevar toda a energia do local. Uma caixinha de tzedacá abre em um lugar uma fenda para que uma enorme quantidade de Luz Espiritual possa entrar. Os antigos nos ensinam que nós não deveriamos fixar uma caixinha de tzedacá parede e sim, fixar a parede na caixinha de tzedacá. Os cabalistas não deixam passar um único dia sequer sem praticar o ato de doar. É isso que os sábios chamavam de "elevar o tempo, espaço e pessoa". A tzedacá possui um papel fundamental no exercício do Tikun Olam (Correcão do Mundo).

Há três tipos de tzedacá, que podem ser comparados ao ouro, a prata e ao cobre. a tzedacá que a pessoa dá quando ela e sua família são prósperas e as coisas vão bem, é comparada ao ouro. Esse tipo de caridade tem o mais poderoso efeito no Mundo Espiritual. "Ze Hanotem Bari" (aquele que dá quando tem saúde), formando a palavra zahav, ouro em hebraico.

Há, então, um segundo tipo de tzedacá que a pessoa dá quando adoece. É menos efetiva, uma vez que é dada num momento de necessidade, sendo, portanto, comparada à prata. Se uma pessoa possui um cofre de tzedacá em sua casa, dois anjos aparecem a cada semana.

Outro tipo de tzedacá, o cobre, é aquele que é feito quando solicitado. e com estes três elementos reconstruimos o nosso Tabernáculo.

A mitzvá de tzedacá abrange dinheiro ou alimentos.

O valor a ser doado para tzedacá é um décimo dos rendimentos.

Ao pensar em como compartilhar dinheiro para tzedacá, deve-se dar prioridade aos que se esforçam no estudo da Torá. Assim os maasarot (dízimos) sustentam os cohanim e leviim que faziam o serviço no Tabernáculo, também devemos separar um décimo de nosso ganho para as instituições que se dedicam ao estudo da Torá. e assim construir as bases de uma sociedade mais justa e que não mais necessite de tzedacá.

Ivdu et HaShem B’simchá
Rav Meir

Informações: (21) 2558-1904 • 2225-7103

EXTRAÍDO DO SITE ACADEMIA DA CABALA